As Histórias

Vinte e dois anos depois de um cancro de mama

Maria Isabel Barreiro foi operada e fez vários tratamentos de quimioterapia. Hoje, tudo é passado e ela aprendeu a apreciar melhor as pequenas coisas.

Há 22 anos, Maria Isabel Barreiro recebeu uma notícia assustadora: o diagnóstico de um cancro de mama. “Não queria acreditar, fartei-me de chorar”, conta.

A médica informou-a que tinha de ser operada e Maria Isabel preparou-se para explicar à família o que se passava. A filha tinha então 12 anos e o filho, de 17, acabara de entrar para a Universidade de Aveiro. Natural de Évora mas a residir em Alcobaça, onde é empresária, Maria Isabel quis, primeiro, procurar casa para o filho antes de seguir para a cirurgia.

O seu principal apoio foi a médica, que sempre a acompanhou de forma “extremamente meiga” e de quem se tornou uma boa amiga. Infelizmente “ela já faleceu, também de cancro”, conta.

Partilhou o seu caso com os outros mas isso não a ajudou. “Pelo contrário, as pessoas quando souberam diziam que eu ia morrer… Na altura, há quase 22 anos, era pouco falado e aqui na aldeia é mais complicado…”

Maria Isabel Barreiro foi operada e fez vários tratamentos de quimioterapia. Nos seis anos seguintes prosseguiu com quimioterapia oral. “Os tratamentos eram muito difíceis, eu ficava sempre uma semana de cama não podia cheirar comida”, conta.

Hoje, tudo é passado. Com 63 anos, diz que aprendeu a apreciar melhor as pequenas coisas. “Adoro flores e andar a jardinar dá-me muita energia, a natureza é muito bela, só é pena o homem não a saber estimar.”

Às pessoas em geral, Maria Isabel refere a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. “Quanto mais cedo for diagnosticado, melhor.”

Aos que recebem um diagnóstico de cancro, recomenda “muita fé” e não se deixarem “martirizar muito com o assunto.” Ensinamentos transmitidos por uma enfermeira, “já com alguma idade, que estava na Maternidade Bissaya Barreto” onde foi operada, e que mais a encorajou. “Ajudou-me muito”, diz Maria Isabel com gratidão.

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