Reportagem Especial

Inferno a Céu Aberto

Este sábado, no Jornal da Noite

Inferno a Céu Aberto

Passaram 7 meses desde que o Porto apagou do mapa o bairro que ninguém queria ver. Com a demolição do Aleixo houve uma pulverização do tráfico de droga por vários bairros sociais e os consumos, feitos à vista de todos na zona do Fluvial e na Baixa da cidade, fizeram disparar a indignação e o clima de insegurança.

A Câmara do Porto quer criar uma sala de consumo assistido, mas está em conflito com o Ministério da Saúde e a hipótese mantém-se aprisionada numa teia política.

20 anos depois da estratégia de luta contra a droga, o modelo português de combate às adições dá sinais de falência, com um aumento do número de overdoses e dos consumos de cocaína e extasy, já a canábis deixou de ser a droga leve dos anos 60 e passou a ser responsável por mais de metade dos pedidos de ajuda para tratamento.

As drogas estão mais puras, mais potentes, mais baratas e nunca houve tantas substâncias novas no mercado, com riscos acrescidos para quem consome.

O mundo sem drogas é uma utopia, mas quem lida com o narcotráfico à porta de casa pede soluções, para acabar com o "Inferno a ceú aberto".