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Covid-19. "No tsunami temos que acomodar e resolver a seguir"

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Carlos Alberto Silva, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em entrevista ao Polígrafo SIC.

O Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em Penafiel, foi um dos mais afetados pela segunda vaga da pandemia de covid-19. Nas redes sociais, surgiram imagens de corredores cheios de utentes em macas e até de enfermeiros em estado de exaustão. O hospital atingiu um pico de 235 doentes covid internados, o equivalente a 10% de todos os doentes covid no país naquela altura.

Carlos Alberto Silva, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, admite ainda hoje ter alguma dificuldade em perceber como foi atingida uma concentração de doentes tão elevada.

Quando questionado sobre as imagens que iam chegando por vídeos amadores de dentro do hospital no Polígrafo SIC, afirmou que não tem como negar a existência das mesmas e das dificuldades vividas na unidade de saúde.

“Estávamos num tsunami. Tínhamos que acomodar os doentes e resolver a seguir”, relatou.

Carlos Alberto Silva, quando confrontado com outras dificuldades sentidas no hospital mesmo antes da pandemia, recusou-se a apresentar uma visão negativa. Apesar de estar há 18 anos à espera de uma máquina de ressonância magnética, prefere contar os profissionais de saúde que conseguiu encaixar ao longo dos anos, bem como as especialidades que ganharam lugar no hospital.

Na altura da sobrelotação do hospital, uma visita da ministra da Saude, Marta Temido, à unidade viria também a ser polémica, depois de a Ordem dos Enfermeiros ter denunciado que alguns doentes foram retirados no hospital devido à presença da tutela. O Presidente do Conselho de Administração do hospital de Penafiel não quis responder às acusações, utilizando apenas a palavra “coincidência”, visto que, nessa mesma altura, alguns doentes começaram a ser transferidos para outras unidades.