Futuro Hoje

O que falta no Ok Google que todos os outros têm

Se vê os pequenos círculos o seu telefone tem um assistente virtual. Mesmo que não os veja é possível que já possa usar.

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

A opinião do editor de novas tecnologias da SIC, Lourenço Medeiros, em mais uma crónica "Futuro Extra".

Estou muito contente por termos finalmente um assistente virtual a sério em português de Portugal. Escrevi profusamente sobre isso, e o próximo Futuro Hoje vai ser dedicado ao mesmo tema. Fui um dos que tiveram a oportunidade de testar o assistente, mesmo incompleto, antes do lançamento oficial. Para os jornalistas implica o rigoroso respeito pelas regras do embargo, se aceitamos um acesso prévio assim, não publicamos nada antes de uma data combinada ou da luz verde dos responsáveis. Isto tudo para dizer que eu e muito poucos temos alguma experiência de um sistema incompleto em português. No caso tenho alguma experiência também do assistente da Google, do Siri da Apple, e do Alexa da Amazon todos eles em inglês e ligados e alguns gadgets lá de casa.

O assistente da Google, na versão nacional, é uma notícia fantástica e um grande passo para a nossa língua no caminho para os interfaces do futuro, para a forma como vamos comunicar com máquinas mas, para já, só foi lançado na versão mobile. Só funciona em telefones inteligentes e em tablets. Não funciona ainda nas colunas inteligentes da Google e de outras marcas, nem nos pequenos ecrãs que a Google também comercializa, nem nos auscultadores que fazem tradução simultânea, e por aí fora. Não funciona no ecossistema da Google a não ser nos aparelhos “mobile”.

Ainda por cima estes aparelhos são muito maus com reconhecimento facial. Por regra, são pouco seguros. Em teoria, poderiam ser desbloqueados pela nossa voz mas, pelo menos enquanto escrevo estas linhas, isso não é possível em português. Quando falo com qualquer um destes sistemas em casa basta dizer a palavra mágica que o desperta, Ok Google, Ei Siri, ou Alexa para dar um comando. Quando muito o Siri pede-me autenticação e basta olhar para o telefone.

Com o Google em português tenho mesmo que ir colocar a impressão digital ou o pin para depois fazer os meus pedidos. É muito menos natural, torna-se de facto um empecilho. Ter o telefone desbloqueado por defeito está fora de causa para mim. Acredito que seja resolvido em breve, ou com o comando de voz, ou com o alargamento do português ao resto do ecossistema da Google. Aí sim, poderemos fazer coisas muito mais interessantes.

De resto, ainda tem muitas falhas de compreensão. É normal. A partir de agora, o Google vai aprender com o uso de todos nós. Eu uso os docs do Google há alguns anos e é impressionante o que o sistema de correção ortográfica aprendeu nesse tempo com os utilizadores. O mesmo vai acontecer com este assistente: quanto mais o usarmos melhor nos entenderá.

Tem outras lacunas em relação à versão americana que não faço ideia quando é que serão resolvidas. Não são erros. Sempre me foi dito que as funcionalidades iam sendo acrescentadas mesmo depois do lançamento. A versão atual ainda não é capaz de ler as mensagens que nos chegam, podemos ditar mensagens, sms ou WhatsApp, é até bastante eficaz, mas não lê o que recebemos em alta voz se lhe pedirmos.

Também ainda não consigo fazer nada com email, o próprio assistente diz que ainda não pode. Pesquisando nos menus há obviamente muitas coisas que ou ainda não consigo usar ou ainda não estão ativas. No despertador há a opção de depois do toque pôr o assistente a fazer uma série de funções: dizer que tempo está, ou as notícias, a lista é grande para escolhermos e deveria fazê-lo automaticamente mas ainda não consegui ativar. Deve estar por pouco.

São tudo novas coisinhas para ir descobrindo a partir de agora que temos finalmente um assistente virtual em português de Portugal. Falta sobretudo que a Google se decida a ganhar dinheiro a vender-nos também os seus gadgets.