Expresso da Meia-Noite

"Game over" no Orçamento? PCP sente "bloqueio" e "distância" do PS

O deputado comunista, António Filipe, diz que existe uma distância muito grande nas conversações entre os partidos e até considera um "exagero" falar em negociações.

O deputado do PCP, António Filipe, poderá muito bem ter antecipado um "game over" ao Orçamento do Estado para 2022, partilhando que os comunistas sentem "bloqueio" e "chantagem" dos socialistas, considerando um "exagero" tratar as negociações entre os partidos como negociações.

António Filipe refere que houve reuniões e que, até à discussão na generalidade, serão mantidos contactos, no entanto, não se inibe de deixar um reparo.

"É um pouco exagerado falar em negociações", lança em tom crítico.

O deputado comunista refere existir "uma distância muito grande" entre as partes, e deixa antever um cenário negro para as aspirações do PS em sede de votação.

"Foi afirmado pelo líder parlamentar do PCP, no início da semana, que o Orçamento, como está, terá o voto contra do PCP", diz.

Para António Filipe, "o problema é que há uma espécie de bloqueio da decisão dos problemas".

"Vemos que, em setores da Administração Pública - Saúde, forças de segurança, Justiça, os professores -, encontramos uma enorme insatisfação pela falta de resposta de respostas concretas aos problemas", refere o deputado do partido de Jerónimo de Sousa.

O uso das expressões "exagero" sobre as negociações e "bloqueio" foi destacado por Bernardo Ferrão, da SIC, pelo facto de serem proferidas a poucos dias da votação, mas o deputado não reagiu.

Sobre se as exigências do PCP são exageradas, pretendendo o partido um Orçamento do Estado à sua medida, António Filipe discorda.

"Nós também não somos obrigados a viabilizar o Orçamento do PS sem mais, até porque o PS é minoritário. Os partidos não podem ser colocados numa chantagem de não terem outro remédio senão aprovar o Orçamento, seja ele qual for", atira o deputado.

Para o membro do PCP, "estamos num ponto da vida nacional em que se exige respostas de fundo para os problemas".

"O Orçamento é um elemento fundamental para essa resolução, mas não é o único, e a legislação laboral não é discutida no Orçamento, mas não podemos continuar a assistir ao adiar sistematicamente de qualquer possibilidade de reversão das medidas mais negativas implementadas no tempo do da Troika", termina António Filipe.

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