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Ana Gomes doa 31.000 euros que sobraram das presidenciais para promover jornalismo independente

Horacio Villalobos

A candidata, que ocupou a segunda posição na votação presidencial, recebeu cerca de 132.000 de euros de subvenção.

A ex-candidata à Presidência da República Ana Gomes informou esta sexta-feira que decidiu entregar os donativos que sobraram da campanha, avaliados em 31.000 euros, à Associação "Continuar para Começar", para promover o jornalismo de investigação independente.

Numa carta dirigida aos presidentes da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), José Eduardo Figueiredo Dias, e da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José Vitor Soreto de Barros, à qual a agência Lusa teve acesso, Ana Gomes explica que chegou ao fim da campanha com um excedente.

"O saldo financeiro dos donativos recebidos - para os quais estabeleci o limite de 100 euros por pessoa - foi de cerca de 31.000 euros. Verba essa, proveniente de contributos de apoiantes, que acabou por não ser preciso gastar", pode ler-se.

Cumprindo o objetivo proposto de "máxima economia e contenção de meios", a também antiga eurodeputada afirma que o "donativo visa apoiar a publicação do jornal online "Setenta e Quatro" que acaba de ser lançado pela Associação".

"Acredito que temos de defender a democracia, sobretudo quando a vemos ameaçada. E sei que o jornalismo de investigação é ferramenta indispensável no combate pelos valores fundamentais da democracia e dos direitos humanos. Estou crente de que esta minha escolha corresponde aos objetivos de todas e todos os que contribuíram livremente para financiar a minha campanha", adianta Ana Gomes.

Com as contas da campanha de candidatura às Presidências 2021 fechadas e entregues às entidades competentes, a ex-candidata acrescenta que tem muitas esperanças na "equipa de gente jovem e motivada que integra o novo coletivo que pública o "Setenta e Quatro".

"Que se norteie pelos valores da verdade, do rigor e da transparência, que sustentam a democracia. Que investigue, aprofunde e desvende, sem temor, o que deve ser revelado", sustenta.

A diplomata Ana Gomes foi a mulher mais votada de sempre numas eleições presidenciais em Portugal, com 12,93% dos votos, e a primeira a conseguir um segundo lugar.

Ana Gomes conseguiu um segundo lugar nas eleições presidenciais de 24 de janeiro, ao ser a escolha no boletim de voto de 536.236 portugueses.

A primeira mulher a candidatar-se a eleições presidenciais em Portugal foi Maria de Lourdes Pintassilgo, que, em 1986, ficou em quarto lugar com 7,38% dos votos na primeira volta as eleições, o correspondente a 418.961 votos. Nessa eleição, Mário Soares ficou em segundo na primeira volta, mas ganhou na segunda a Diogo Freitas do Amaral.

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