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Ativista russo: "Não sei se Portugal pode proteger-nos"

Em causa está o envio de dados de ativistas russos pró-Navalny à embaixada da Rússia em Lisboa.

Pavél Alizárov, um dos ativistas cujos dados pessoais foram enviados para Moscovo, contou à SIC Notícias que, quando chegou a Lisboa, se sentia seguro. Agora não acredita que Portugal seja capaz de o proteger.

A Câmara de Lisboa admitiu hoje que enviou os dados dos três organizadores da manifestação em solidariedade com o ativista russo Alexey Navalny, mas garante que apenas cumpriu o que está previsto na lei e rejeita qualquer cumplicidade com o regime russo.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa pediu "desculpas públicas" pela partilha de dados de ativistas russos em Portugal com as autoridades russas, assumindo que foi "um erro lamentável que não podia ter acontecido".

"Quero fazer um pedido de desculpas público aos promotores da manifestação em defesa dos direitos de Navalny, da mesma forma que já o fiz à promotora da manifestação. Quero assumir esse pedido de desculpas público por um erro a todos os títulos lamentável da Câmara de Lisboa", disse Fernando Medina numa conferência de imprensa sobre envio à Rússia de dados pessoais de três ativistas russos.

Entretanto, a Câmara de Lisboa anunciou hoje que alterou os procedimentos internos para manifestações por forma a salvaguardar dados pessoais de manifestantes, após uma queixa de ativistas russos que viram os seus dados partilhados com a Embaixada da Rússia.

"Foram alterados os procedimentos internos desde 18 de abril e, nas manifestações subsequentes para as quais foi recebida comunicação (Israel, Cuba e Angola) não foram partilhados quaisquer dados dos promotores com as embaixadas", justificou a CML em comunicado.