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Polícia Judiciária investiga tráfico de seres humanos e escravatura em Odemira

As investigações já duram há cerca de dois anos e até agora não houve detenções.

A Polícia Judiciária (PJ) tem várias investigações em curso por suspeitas de tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal e escravatura no concelho de Odemira. As investigações duram há cerca de dois anos e estarão centradas, sobretudo, nos empresários responsáveis pela vinda dos imigrantes para Portugal. Até agora, não houve detenções.

Chegam ao sudoeste alentejano para trabalhar na apanha da fruta. Uns vêm pela mão de pequenas empresas de prestação de serviços ou agências de recrutamento, outros são chamados por conterrâneos.

Ao que a SIC apurou, há suspeitas de tráfico de seres humanos, de auxílio à imigração ilegal e de escravatura. Crimes da competência da Unidade de Combate ao Terrorismo da PJ, que tem em mãos várias investigações há pelo menos dois anos.

Os alvos da investigação serão, sobretudo, os pequenos empresários que são responsáveis pela vinda para Portugal dos trabalhadores estrangeiros. Vêm principalmente do Bangaldesh, Nepal e Tailândia, recebem um salário baixo e vivem em condições de enorme insalubridade. Ficam amontoados em casas que são arrendadas por terceiros e pelas quais pagam entre 100 e 120 euros.

Às investigações da PJ, juntam-se as do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que tem 32 inquéritos em curso, seis dos quais em Odemira, por tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal e falsificação de documentos.

"HÁ MUITO TRÁFICO HUMANO" EM ODEMIRA: AS DENÚNCIAS FEITAS POR UM EX-TRABALHADOR

Há redes criminosas associadas a empresas de prestação de serviços que atuam na captação e exploração de imigrantes da Ásia e norte de África, para trabalhos agrícolas no concelho de Odemira.

Um ex-trabalhador português denunciou à SIC casos de tráfico humano, extorsão e agressões, entre outras situações menos claras.

O esquema é tentacular, criminoso e mantém sem saída centenas de pessoas.

Em busca de uma vida melhor, homens e mulheres vêm ao engodo de um trabalho pago, casa, tranquilidade e paz europeia. Acabam na mão de quem os trouxe.

Entretanto, o esquema evoluiu e o dinheiro recebido é enviado para o pais de origem e o pagamento aos intermediários feito de lá. A rede está montada e alimenta em muitas frentes.

As vítimas trabalham, descontam, entregam parte do salário e permanecem em péssimas condições, que também pagam. Como o dinheiro não chega, são convidados a comprar fiado nas lojas asiáticas ou africanas e, no fim, são cobrados juros

O esquema tem na mira trabalhadores migrantes oriundos da Ásia e norte de África. A maioria vem do Nepal, da Índia e da Tailândia.

Migrantes infetados ficam em pousadas em Almograve

Os migrantes do concelho de Odemira que vivam em condições precárias e estejam infetados com covid-19 vão ser transferidos esta segunda-feira para uma pousada de juventude.

As autoridades locais reuniram para definir os últimos pormenores.

Há 80 casos positivos em Odemira, a maior parte são migrantes que trabalham nos campos agrícolas. Quem está positivo vai para a pousada da juventude de Almograve. Quem é contacto de risco vai cumprir quarentena no complexo turístico Zmar.

O processo de vacinação nas freguesias com cordão sanitário, São Teotónio e Almograve, continua em ritmo acelerado, principalmente depois do reforço que o exército fez no número de enfermeiros. Já terão sido administradas no concelho mais de 2 mil vacinas.

  • Investir agora na infância para poupar no futuro

    Desafios da Mente

    Assegurar o desenvolvimento saudável de todas as crianças é essencial para as sociedades que procuram alcançar o seu pleno potencial sanitário, social e económico. A prevenção da adversidade precoce deve ser uma preocupação diária e não apenas assunto no mês de abril, mês Internacional da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Os Governos, as famílias, as comunidades e as organizações devem ser envolvidas a fim de alcançar estes objetivos.