País

Eleições nos Açores. PS perde a maioria absoluta

ANDRÉ KOSTERS

Chega, Iniciativa Liberal e PAN conseguem eleger.

O PS perdeu a maioria absoluta nas eleições regionais dos Açores, só tendo conseguido eleger 25 deputados do total de 57 parlamentares da Assembleia Legislativa Regional.

O PS governa a região desde 1996, mas apenas nas eleições realizadas em 2000 obteve maioria absoluta, renovada nos escrutínios de 2004, 2008, 2012.

Para alcançar a maioria absoluta o PS teria de ter pelo menos 29 dos 57 deputados do parlamento açoriano.

De acordo com os resultados provisórios divulgados pela Direção Regional de Organização e Administração Pública (DROAP), o PS ganhou as legislativas regionais, ao alcançar 39,13% (40.701 votos).

O Presidente do PS Açores disse que o partido ganhou de forma clara e inequívoca. Vasco Cordeiro remeteu para os próximos dias a procura de soluções para formar Governo.

António Costa, secretário-geral do PS, destacou a sétima vitória do PS nas eleições dos Açores, mas perante a perda da maioria absoluta, rejeitou interferir numa solução governativa.

O PSD, com 33,74% (35.091 votos), garantiu 21 mandatos, mais 2 do que em 2016.

O líder do PSD açores diz que está disponível para dialogar com todos os partidos. José Manuel Bolieiro garante ainda que o PSD vai fazer tudo para garantir estabilidade governativa nos Açores.

O presidente do PSD já destacou o resultado positivo do partido. Rui Rio não descarta uma possível geringonça entre os partidos de direita para conseguir formar uma maioria absoluta.

O CDS-PP teve 5,51% (5.734 votos), elegeu três deputados, além de um parlamentar em coligação com PPM (com 115) votos, menos um mandato do que nas eleições de 2016.

Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, congratulou-se com os resultados e disse que são os centristas quem lidera a direita. O CDS-PP continua a ser o terceiro partido com maior representação no parlamento regional.

O Bloco de Esquerda (BE) conseguiu dois deputados eleitos nas legislativas regionais dos Açores, candidatos pelos círculos de São Miguel e da Terceira.

Os dois eleitos pelo BE são António Lima, de 39 anos, professor e líder do partido nos Açores, que se apresentou às eleições regionais como candidato do círculo eleitoral da ilha de São Miguel, e Alexandra Manes, de 45 anos, ajudante de educação especialista, que foi candidata pela ilha da Terceira.

Pedro Filipe Soares, deputado dos Açores, realça o melhor resultado de sempre do bloco de esquerda nas eleições regionais nos açores. Afirmou ainda que não descarta formar coligação com o PS.

O Chega, que concorreu pela primeira vez às regionais dos Açores, teve 5,06% (5.260 votos), elegeu dois deputados. O líder nacional do Chega, André Ventura, afirmou que os Açores estão a libertar-se do socialismo.

"O povo açoriano está a libertar-se do socialismo, que é crónico, difícil e corrupto muitas vezes na região, como no continente. Hoje damos uma grande passo na luta contra a corrupção. E não tenho dúvidas de que o Chega é o grande responsável", afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas num hotel de Ponta Delgada, onde está a acompanhar a noite eleitoral.

O PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro eleito em coligação com o CDS-PP.

O líder do PPM nos Açores, Paulo Estêvão, destacou ser "um facto extraordinário" a eleição de um grupo parlamentar, frisando que o partido vai ter "um papel importante" no próximo parlamento regional.

"Nós termos um grupo parlamentar é um facto extraordinário. Elegemos no Corvo e nas Flores. Vamos ter um papel importante no próximo parlamento dos Açores e, fundamentalmente, estamos muito empenhados em melhorar a vida dos açorianos. E, portanto, é isso o nosso compromisso, somos um partido que trabalha intensamente na defesa das populações e é isso que vamos fazer", disse Paulo Estêvão em declarações telefónicas à agência Lusa, a partir da ilha do Corvo.

A Iniciativa Liberal, que também concorreu pela primeira vez à Assembleia Legislativa dos Açores, conseguiu 1,93% (2.012 votos) e elegeu um deputado, assim como o PAN que teve percentagem idêntica e apenas menos oito votos.

O eleito pelo PAN é Pedro Neves, de 41 anos, assessor político e porta-voz do partidos nos Açores, que se apresentou às eleições regionais como cabeça de lista do partido pela ilha de São Miguel e candidato pelo círculo de compensação.

Já o líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, considerou a eleição pela primeira vez de um deputado do partido para o parlamento dos Açores um "bom prenúncio" para atos eleitorais futuros.

"Este resultado é histórico porque pela primeira vez temos um deputado regional liberal na Assembleia Legislativa dos Açores e isso é algo que deve ser registado", considerou, em declarações à agência Lusa.

A coligação PCP/PEV, que tinha eleito um deputado há quatro anos não conquistou nenhum mandato, tendo obtido 1,68% (1.745 votos).

O secretário-geral do PCP lamentou o resultado "particularmente negativo" do partido. Jerónimo de Sousa, considerou que o resultado da CDU nas eleições regionais dos Açores "não traduz quer a influência social e política da CDU, quer o reconhecimento da sua intervenção na vida política açoriana".

"A perda de representação parlamentar pela CDU constitui um resultado particularmente negativo na vida política regional, um significativo empobrecimento democrático e sobretudo uma fragilização da intervenção em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo açoriano, como aliás já foi comprovado entre 2004 e 2008, período em que a CDU não teve representação parlamentar", apontou o líder comunista.

A Aliança, que concorreu pela primeira vez ao parlamento açoriano, obteve 0,41%, o Livre 0,35%, o MPT 0,15% e o PCTP/MRPP 0,14%.

"A primeira grande nota é que são as primeiras eleições realizadas em pandemia e a abstenção desceu e desceu significativamente"

As legislativas dos Açores decorreram com 13 forças políticas candidatas aos 57 lugares da Assembleia Legislativa Regional: PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Iniciativa Liberal, Livre, PAN, Chega, Aliança, MPT e PCTP/MRPP. Estavam inscritos para votar 228.999 eleitores.

No total, são 10 os círculos eleitorais - um por cada ilha açoriana mais o círculo de compensação.

Apenas seis das forças concorreram por todos os círculos: PS, PSD, CDS, BE, CDU (PCP/PEV) e PPM, todas as que tinham assento no parlamento regional.

Abstenção foi de 54,58%, inferior à de 2016

A abstenção nas eleições para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores foi de 54,58%, a segunda maior de sempre, mas inferior à taxa de abstenção verificada há quatro anos, segundo dados oficiais.

De acordo com a Direção Regional de Organização e Administração Pública (DROAP), até ao encerramento das urnas na Região Autónoma, às 19:00 (20:00 em Lisboa), votaram 124.993 eleitores, 54,58% do total.

Em 2016, a abstenção nas eleições regionais açorianas atingiu 59,16%, um recorde absoluto nestes sufrágios, superando os 53,34% de abstenção em 2008, que era até então o valor mais elevado.

Presidente da República elogia "atitude cívica" dos eleitores

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou a "atitude cívica" dos eleitores dos Açores pela participação nas eleições regionais, superior do que nas de 2016.

"O Presidente da República saúda os eleitores dos Açores pela atitude cívica neste período difícil de pandemia, com uma taxa de participação superior à do anterior escrutínio", lê-se numa nota publicada na página da Presidência da República na Internet.