País

Chamas continuam a preocupar em Mação, Abrantes e Sardoal, Santarém

PAULO CUNHA

O incêndio que lavra em Mação desde terça-feira à noite continuava a lavrar de forma descontrolada, cerca das 19:40 desta sexta-feira, sendo as freguesias de Ortiga e de Mouriscas, em Abrantes, as que causam maior preocupação.

"O incêndio de Mação", no distrito de Santarém, "continua descontrolado, entrou com muita violência em Gavião, já em Portalegre, saltou o rio Tejo e está na zona sul em direção à vila alentejana, onde foi evacuada a aldeia de Cadafaz, e continuam a oferecer grande preocupação as aldeias de Ortiga, em Mação, e de Mouriscas, em Abrantes, onde as chamas continuam incontroláveis", disse à Lusa fonte do Comando Distrital Operacional (CDOS) de Santarém.

A mesma fonte sublinhou que este incêndio teve origem no de Alvaiázere, no distrito de Leiria, e já percorreu os distritos de Santarém, Castelo Branco e Portalegre, num total de cerca de 80 quilómetros.

"O vento sopra com grande violência, há muitos reacendimentos, e já houve uma projeção que saltou para Alagoas, localidade de Casa Branca", na União de Freguesias de Alvega e Concavada, na zona sul do concelho de Abrantes "que foi agarrada".Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, disse que a situação continua "muito complicada", tendo destacado "uma projeção já extinta em Alvega" e "reacendimentos em Entre Serras e Lercas, em Mouriscas".

Maria Teresa Dinis, presidente da junta de freguesia de Mouriscas, disse à Lusa, por sua vez, que a situação "esteve muito, muito difícil, as chamas andaram dentro da Herdade da Murteira, onde fica situada a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA), e ameaçaram habitações, uma pousada e esteve também perto do depósito de gás".

Segundo a autarca, "de manhã estava tudo tranquilo, mas cerca das 12:30 havia uma pequena coluna de fumo que de repente reincendiou-se com uma força e uma velocidade inacreditáveis", tendo acrescentado "não haver feridos nem casas ardidas" e que, cerca das 19:30, "com o trabalho de meios aéreos e máquinas de rastos a abrir aceiros as coisas acalmaram um bocadinho".

No concelho de Sardoal, "há muitas reativações, da Tojeira a Vale Formoso, mas temos sempre conseguido segurar as chamas e impedir que ganhem grande dimensão", disse à Lusa Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal.

"A capacidade de resposta para que as reativações sejam travadas o mais rápido possível é o grande desafio", disse o autarca, que tem os meios pré-posicionados na mancha verde concelhia para uma noite que antevê de "elevado risco".

De acordo com a página na internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o incêndio em Mação deflagrou às 00:01 de quarta-feira, estava a ser combatido cerca das 19:40 de hoje por 685 operacionais, 219 meios terrestres e quatro meios aéreos.

Lusa