Análise

Nomeação de Pedro Adão e Silva. “É lícito perguntar sobre a forma como o PS gere isto tudo, é tudo para os amigos”

Em causa está a escolha do ex-dirigente socialista para comissário executivo dos 50 anos do 25 de Abril.

A 27 de maio, o Conselho de Ministros aprovou a criação de uma estrutura de missão para organizar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, que se assinala em 2024, nomeando o ex-dirigente socialista Pedro Adão e Silva como comissário executivo.

Entretanto, o presidente do PSD criticou indiretamente a escolha do socialista, dizendo tratar-se de uma "compensação" pelos comentários feitos nos media. Também o presidente do CDS-PP considerou que a escolha "insulta os portugueses" e exigiu ao primeiro-ministro que opte por "outra pessoa".

Bernardo Ferrão afirma que a escolha levanta questões pelo período de tempo em que Pedro Adão e Silva vai estar no cargo – cinco anos e quase sete meses – e também pelo passado ligado ao Partido Socialista.

“O período é muito questionável, sobretudo quando vemos os valores. São 4.500 euros brutos mensais, mais equipa de apoio até 12 pessoas, mais motorista e secretário pessoal. Tudo somado são 320 mil euros”, afirma.

Ainda sobre a escolha, Bernardo Ferrão considera que é lícito perguntar “sobre a forma como o PS gere isto tudo”, questionando se o PS e o Governo “não teriam feito muito melhor” consultando os outros partidos para se consensualizar um nome.

“O PS e o Governo decidiram e está decidido. Decidem sem ouvir ninguém, sem pensar nas consequências que vai ter. Há um traço de arrogância brutal nestas escolhas”, aponta.

Sobre outra nomeação polémica, a de Ana Paula Vitorino para a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, Bernardo Ferrão lembra que há um conflito de interesses, já que a deputada do PS passará a fiscalizar “tudo o que diga respeito a transportes” e “muitas das grandes empresas de transportes nacionais têm como principal acionista o Governo”.

“Para além disso, é mulher de um ministro, foi ministra e saiu por causa do ‘family gate’. Mostra a falta de perceção do Governo, parece que ignora todos os estragos que isto vai causar”, conclui.