Opinião

Sessão de Cinema: “O Primeiro Encontro”

Amy Adams em "O Primeiro Encontro": comunicando com extraterrestres...

O canadiano Denis Villeneuve tem-se distinguido em universos fantásticos, devedores da tradição da ficção científica — este é um dos seus títulos de maior impacto.

A próxima chegada da nova versão de “Dune”, assinada por Denis Villeneuve, é um bom pretexto para revisitarmos um dos filmes do cineasta canadiano que mais contribuiu para o seu prestígio internacional: “O Primeiro Encontro” (título original: “Arrival”), uma história de ficção científica que se distingue pela recusa de usar os clichés cinematográficos do género, convocando o espectador para uma experiência invulgar, quer em termos intelectuais, quer no plano sensorial.

Dito de forma esquemática, “O Primeiro Encontro” segue a odisseia de uma especialista em línguas e comunicação, interpretada por Amy Adams, convocado pelo exército dos EUA para tentar decifrar as mensagens provenientes de uma nave de extraterrestres. Será que os visitantes querem, de facto, estabelecer um diálogo?… Ou a humanidade está à beira de uma guerra galáctica?…

Há um “suspense” muito especial no desenvolvimento de “O Primeiro Encontro”, em tudo e por tudo alheio a qualquer ostentação gratuita dos meios de produção e dos respectivos efeitos especiais (que são, em qualquer caso, muito sofisticados). Villeneuve elabora, assim, uma teia de factos e pressentimentos em que, lentamente, os envolvidos começam a perceber que há qualquer coisa na acção dos extraterrestres que se cruza com as suas próprias memórias…

Grande sucesso de 2016, “O Primeiro Encontro” seria integrado pelo American Film Institute na sua lista dos dez títulos mais importantes do ano. Teve uma presença forte na corrida aos Óscares, com oito nomeações, incluindo uma para melhor filme do ano — ganhou na categoria de melhor montagem sonora. Para a história, recordemos que, após “O Primeiro Encontro”, Villeneuve dirigiu “Blade Runner 2049”, sequela de “Blade Runner” (1982) lançada em 2017.

HBO