Opinião

Sporting “vip” no clube Champions

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

A uma vitória de garantir a entrada direta na Champions da próxima temporada. Cumprir este desígnio é o objetivo do Sporting na Liga na noite de amanhã em Vila do Conde. E quem sabe se não se confirma essa possibilidade, com a equipa de Rúben Amorim embalada pela conquista da Liga dos Campeões de futsal, realidade conseguida pela segunda vez na história do clube, na noite desta segunda-feira, em Zadar, na Croácia, frente ao anterior campeão europeu Barcelona, depois de terem ficado pelo caminho KPRF, campeão russo, e Inter Movistar, campeão espanhol e emblema mais titulado na competição.

Pela qualidade dos rivais, esta não foi apenas mais uma conquista europeia, foi uma vitória especial, diferente, categórica. A segunda da história leonina, conseguida em três épocas, na quarta final em cinco anos. Um feito obtido, novamente, sob a liderança de Nuno Dias e da sua equipa técnica, de um plantel unido e disponível, assente na experiência de Merlim, João Matos, Guitta, Pany Varela ou Cavinato, mas também na juventude de Erick, Tomás Paçó, Zicky ou Rocha, mas que não pôde contar com um dos seus maiores expoentes, o lesionado Cardinal. Um triunfo na linha do conseguido pela seleção nacional, que em 2018, frente à Espanha, conquistou o título europeu (que defende no próximo ano), após final épica, com os catalães, virando o jogo de 0-2 para 4-2. Uma conquista que não contemplou a presença de nenhum dos atuais dirigentes leoninos na Croácia, mas oportunidade para recordar Miguel Albuquerque: a ele se deve, por força do trabalho desenvolvido nos leões em 20 anos, grande parte dos feitos conseguidos por uma das mais tituladas modalidades sportinguistas.

Ora, uma vez que o futsal deu o mote, pode muito bem acontecer que o futebol profissional dos leões garanta, desde já, em Vila do Conde os pontuais fundamentais para o primeiro de dois objetivos: o outro, por força da vantagem na classificação e do desempenho ao longo da época… é o título. Por tradição, os confrontos com Rio Ave são complicados para os leões. Dois exemplos recentes: na primeira volta, em Alvalade, aconteceu um empate (1-1), resultado que se verificou na última deslocação ao recinto vilacondense. Logo, para garantir antecipadamente a entrada no clube “vip”, o leão obriga-se a estar ao seu melhor nível, frente a um opositor que está desconfortável na tabela e vai encontrar uma “tripla” que muito o incomodou em Alvalade, formada por ex-leões: Francisco Geraldes, Mané e Gelson Dala.

O OUTRO JOGO QUE VALE MUITOS MILHÕES

A jornada (31.ª) é marcada, no entanto, pelo Benfica-FC Porto. Pela decisão que engloba o futuro dos dois clubes na prova, sem esquecer o “glamour”, mesmo sem público, próprio de um clássico. Com quatro pontos de vantagem sobre os encarnados, os dragões deslocam-se à Luz com o conforto resultante desse avanço, mas quando ainda faltam, depois deste jogo, mais três jornadas, certamente quererão jogar com o facto de terem a seu favor dois resultados. Já os encarnados, depois de uma época que tem sido uma verdadeira “montanha russa” têm presente esta realidade: um triunfo continua a alimentar-lhes o sonho de poderem chegar à Liga dos Campeões diretamente. E um triunfo… seria acolhido em Alvalade de sorriso rasgado.

Os últimos 10 jogos entre os dois clubes, em Lisboa, apenas para a Liga, dão nota de um enorme equilíbrio: 3 vitórias do Benfica, 3 empates e 4 triunfos dos dragões. Portanto, o que se prevê para este crucial confronto é a mesma dose dos últimos tempos: equipas bem encaixadas uma na outra, grande aposta no dispositivo tático – é de crer que os encarnados, uma vez que Otamendi está de volta, regressem ao 3x4x3 – e decisão nos pormenores. Sem esquecer, por ser importante para o envolvimento das equipas, que Sérgio Conceição não estará no banco de suplentes, uma vez que o Conselho de Disciplina indeferiu o protesto do técnico.

Outra nota de grande relevância para o encontro é ausência, prevista, de algumas das figuras das duas equipas. No Benfica, não há certezas quanto à utilização de Taarabt, um futebolista que ganhou grande dimensão na equipa com a chegada de Jorge Jesus, também Darwin Nuñez poderá ficar de fora, uma vez que tem tido problemas físicos de difícil resolução, enquanto no campeão nacional é garantida a ausência da sua principal figura: Corona. O mexicano, a contas com uma rotura muscular, vai ficar algum tempo de fora e, sem ele, o FC Porto é menos criativo. Mas isso não quer dizer que não se mantenha competitivo.

JOSÉ MOURINHO RENDE PAULO FONSECA

Rei morto, rei posto. Foi assim, esta terça-feira, em Roma: pela manhã, os responsáveis pelo clube da capital italiana rescindiram contrato com Paulo Fonseca, após quase dois anos de ligação – o resultado em Manchester, na meia-final da Liga Europa, e o desaire em Génova, com a Sampdoria, acelerou o fim do compromisso -, para ao início da tarde contratarem José Mourinho, que recentemente tinha sido afastado do comando do Tottenham. É o regresso do mais renomado treinador português de sempre, depois de em duas temporadas ao serviço do Inter ter conquistado uma Liga dos Campeões, duas Ligas, uma Taça de Itália e uma Supertaça italiana.

ESTORIL REGRESSA À LIGA

Após duas épocas no 2.º escalão, está de regresso ao escalão principal um dos mais antigos clubes portugueses, o Estoril, que comemorou a subida no sofá, uma vez que aproveitou o desaire caseiro da Académica frente ao Arouca. A equipa liderada por Bruno Pinheiro concretizou o feito a três jornadas do final da prova e uma vez que dispõe de sete pontos de vantagem sobre o segundo classificado, Vizela, pode comemorar a conquista do título este sábado, quando defrontar no seu terreno o Chaves. Na luta pelo outro lugar de promoção direta, e paralelamente ao “play off”, estão Vizela, Arouca, Feirense e Académica.

ANDEBOL DE PORTUGAL APURADO PARA O EUROPEU

Sem surpresa, a seleção nacional de andebol confirmou, em Matosinhos, que é neste momento uma das seleções da Europa, ao garantir o primeiro lugar no seu grupo de apuramento para o Campeonato Europeu, ao derrotar a Lituânia (30-25), deixando claro qual o motivo porque os seus elementos são denominados de “Heróis do Mar”, obtiveram o 6.º lugar no último Euro, o 10.º no Mundial e estarão nos Jogos Olímpicos. Paulo Jorge Pereira, o selecionador, tem todos os motivos para estar satisfeito com o rendimento da equipa e agora segue-se o mais difícil: escolher apenas 14 elementos para Tóquio.

Nas modalidades motorizadas, uma palavra para Miguel Oliveira, que no 4.º Grande Prémio de Moto GP, em Jerez (Espanha), obteve o melhor resultado da temporada, o 11.º, sinal de que aos poucos a sua máquina começa a ir ao encontro das “performances” desejadas, enquanto no GP de Portugal de F1, Lewis Hamilton somou a 95.ª vitória da carreira, mas continua por chegar à 100.ª “pole position”, que lhe foi retirada por Valtteri Bottas… por 7 milésimos de segundo. De “ir às lágrimas”.