Opinião

Benfica continua na mó de baixo

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Enquanto o Sporting continua confortavelmente instalado na liderança da Liga - realidade que nem é assim tão surpreendente uma vez que a equipa liderada por Rúben Amorim ocupa a posição, isolada, desde a jornada número 6, continuando sem qualquer desaire em 20 jogos disputados (17 vitórias e três empates) -, o FC Porto, mesmo a 10 pontos de distância dos leões mantém o desejo de poder continuar a lutar pelo título - como se verificou na recente deslocação à Madeira, onde venceu em cima da hora o Marítimo – e o Sp. Braga, terceiro da tabela, não perde de vista a possibilidade de entrar nos lugares de Champions, o Benfica continua na mó de baixo tendo deixado dois pontos no terreno do Farense, somando o quinto empate nos últimos sete jogos.

O desencanto na nação benfiquista é indiscutível. Jorge Jesus era visto como o farol necessário para colocar os encarnados no caminho certo para travar a ascensão dos portistas e daí o seu regresso – a verdade é que nenhum dos dois contava com um Sporting tão consistente 20 jogos depois do início da Liga… -, foram investidos mais de 100 milhões de euros (com a chegada de Lucas Veríssimo) no reforço do plantel, com jogadores internacionais de qualidade, as condições de trabalho possibilitadas ao futebol profissional são as melhores que há no Mundo. Então, porque é que não surgem os bons resultados e a “troika” do futebol – Luís Filipe Vieira, Rui Costa e JJ – é sistematicamente contestada?

O treinador defende que a Covid arrasou a equipa. Bem feitas as contas, sim, teve alguma influência, mas não é o mal de tudo o que se tem passado, porque ainda antes da “grande desgraça” já o Benfica tinha falhado a Champions, perdido a Supertaça e na Liga já distava seis pontos dos leões, a que se juntou depois a não conquista de uma competição tão cara a Jesus, a Taça da Liga. A verdade é que os encarnados estão longe de jogar o triplo, como JJ prometeu, não existe, ao contrário de um passado recente, um padrão de jogo definido, muito menos uma equipa tipo que aguente com firmeza e determinação as dificuldades de uma competição tão especial como a portuguesa.

Sem rodeios, a situação de Jorge Jesus não é tão segura como possa parecer. Os próprios dirigentes, que têm responsabilidades enormes na definição daquilo que o clube pretende desportivamente, também estão a ser arrastados e no futebol não há meias medidas: quando não há resultados, despede-se o treinador. Acontecerá isso ao ex-responsável do Flamengo? Em surdina já se fala em sucessão e até já surgiram nomes. Como o de Pepa. O mais provável é que sim, que JJ possa sair no final da época, mesmo tendo mais um ano de contrato. Ou não. Porque contrariamente ao que já defendeu, a Liga Europa pode ser a sua tábua de salvação. Quinta-feira, com o Arsenal.

BRILHARETE DO BASQUETEBOL NACIONAL

Está de parabéns a seleção nacional de basquetebol, liderada pelo professor Mário Gomes, que ao conseguir cinco vitórias em seis jogos (um feito considerável) garantiu a passagem a nova fase de apuramento para o Campeonato do Mundo da modalidade, que se realizará em 2023. Obviamente que a fase seguinte será bastante mais complicada – a grande parte dos adversários será repescada do próximo Europeu -, mas a possibilidade de Portugal poder passar à fase de qualificação para aquele torneio é considerável, uma vez que das 12 equipas que vão participar na próxima “poule”, apuram-se 8.

OSAKA E DJOKOVIC REIS EM MELBOURNE

Sem público, embora nos primeiros dias um número reduzido de espectadores tenha vibrado com alguns jogos, e ainda sem Roger Federer, terminou com o triunfo dos favoritos o primeiro Grand Slam da época de ténis, o Open da Austrália, disputado em Melbourne. Nas senhoras, dominou o novo fenómeno da modalidade, a japonesa Naomi Osaka, que apenas com 23 anos conquistou o quarto “major” da carreira, segundo australiano, ele que já fatura 30 milhões de dólares ao ano, realidade que não a faz perder de vista o mundo que a rodeia, uma vez que é forte ativista do movimento “Black Lives Matter”. Osaka é agora número 2 do “ranking” mundial, apenas atrás de Ashley Barty.

No setor masculino, depois de Rafael Nadal ter ficado pelo caminho e sem um dos mais famosos suíços que se conhece em prova, aconteceu normalidade com o triunfo de Novak Djokovic. Foi o 18.º triunfo num Grand Slam, o 9.º na Austrália, que o coloca a apenas dois dos outros grandes dominadores do circuito (Federer e Nadal). Aliás, a primeira grande vitória de Nole teve lugar nesta competição há precisamente 10 anos, tendo o jogador garantido que enquanto os outros dois rivais por cá andarem… ele também anda. Logo, é uma grande notícia para os milhões de adeptos da modalidade.

QUINTANA: VOLTA DEPRESSA CAMPEÃO!

Nem mesmo um atleta de alta competição, pelos vistos, está livre de sofrer uma paragem cardíaca. Alfredo Quintana, luso-cubano, de 32 anos, guarda-redes de andebol do FC Porto e da seleção nacional, passou, infelizmente, a fazer parte desse lote. Dizem as últimas informações, que o excecional guarda-redes, um dos melhores que vi jogar em muitos anos a acompanhar a modalidade, está em coma induzido, estável e que as próximas horas e dias são fundamentais. Que volte depressa é o que mais desejo a este campeão!

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