Opinião

Temos que falar em streaming, e cultura e divertimento

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

Temos que falar em streaming ou encontrar outra palavra de preferência em português que nos permita evitar o habitual “como o Netflix”.

Com todo o respeito pelo gigante do streaming que eu vejo, consumo e pago, já há demasiadas e boas alternativas que quero aqui destacar. Vou deixar de fora a HBO ou a mais recente Disney, sobejamente conhecidas e publicitadas.

Ainda não conheço a Disney como devia, não chego para tudo, mas também vejo, aprecio, e pago as séries e filmes da HBO. Há a Apple TV que tendo também algum conteúdo muito bom torna-se frustrante, tem poucas séries ou filmes incluídos e muito do que podemos ver é pago, e bem pago, à parte.

Parece que ainda não decidiram bem passar do modelo de aluguer para o de streaming com tudo incluído. Mesmo assim vale a pena ver, nem que seja nas muitas oportunidades em que a marca oferece um ano gratuito. Normalmente sempre que gaste dinheiro num qualquer produto deles.

Não nos podemos queixar de falta de conteúdos para ver, a desculpa de que é tudo igual já não é válida.

Não nos podemos queixar de falta de conteúdos para ver, a desculpa de que é tudo igual já não é válida.

Podia, e talvez devesse, deixar de fora a OPTO porque é da minha empresa. Mesmo assim vou tomar a liberdade de dizer que fiquei muito agradavelmente surpreendido e consigo aqui ver ótimos conteúdos da SIC.

Não tenho pachorra para estar a gravar tudo e aqui basta clicar e ver se a série, o filme, ou o Jornal da Noite, me prende. É a primeira plataforma de streaming pago made in Portugal, claro que estão a afinar detalhes, como em todos os lançamentos de uma coisa desta dimensão, mas eu estou convencido. Não podia deixar de mencionar.

Caso muito raro jornais específicos para a plataforma, e muito entretenimento em versão SIC mas não só.

Caso muito raro jornais específicos para a plataforma, e muito entretenimento em versão SIC mas não só.

Mas o que verdadeiramente me traz aqui é a Filmin. É curioso, ou talvez não, porque não tem mesmo divulgação. Mas praticamente todas as pessoas com quem falo não conhecem a Filmin.

É de facto uma plataforma alternativa. Sobretudo por não ser centrada nos Estados Unidos.

Aqui encontramos muito, mesmo muito cinema alternativo europeu, asiático, africano, americano mesmo. A maior parte dos conteúdos estão incluídos na baratíssima assinatura para uma plataforma desta qualidade, mas algumas novidades exigem pagamento extra. Justifica-se perfeitamente e é mais barato que o cinema (aqui talvez seja uma pena. Mas isso é outra discussão).

Não vou começar a dar exemplos, caso a caso, de que tem este ou aquele filme. Se tem gosto por alguma cultura e sobretudo se a pandemia o deixou com algum tempo, não o perde, ganha-o a conhecer a Filmin.

Esta semana estão com o Kino, festival de cinema de expressão alemã, sim, até têm festivais e tudo. Vale a pena sublinhar que tem uma das formas de navegar mais interessantes e intuitivas desta lista, e muita informação e trailers sobre tudo o que podemos ver, ao contrário de uma HBO, que tendo muito bons conteúdos mais parece uma montra mal amanhada.

A Filmin diz de si própria que é é “uma plataforma VoD portuguesa de cinema independente.“ Há versões semelhantes e independentes em Espanha e no México, tem ajudas ao financiamento europeias.

Verdadeiramente global e local, com canal português e tudo.

Verdadeiramente global e local, com canal português e tudo.

Já agora, vou mencionar outras duas: a Acorn e a Mubi. A Acorn TV é especializada em séries britânicas e, como seria de esperar, tem verdadeiras pérolas mas só pode ver através do seu operador, não tem site a funcionar em Portugal nem uma aplicação.

A Mubi, tem um modelo diferente, todos os dias entram e saem filmes criteriosamente escolhidos, aqui é como estar sempre num festival. Podem ser estreias, podem ser clássicos, mas de uma forma geral também foge ao “mais do mesmo”.

Claro que é difícil pagar todas estas alternativas. Mas, como por regra não têm fidelização, é fácil andar de umas para as outras. De falta de conteúdo interessante para ver não nos podemos queixar.