Opinião

Sessão de Cinema: “Silverado”

"Silverado": revisitando as paisagens e aventuras do velho Oeste

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Logo após ter realizado o célebre “Os Amigos de Alex”, Lawrence Kasdan arriscou num sentido bem diferente: “Silverado” surgiu, em 1985, como um relançamento espectacular do “western”.

Nascido em Miami, em 1949, o nome de Lawrence Kasdan surge inevitavelmente (e justamente) associado a toda uma renovação dos dramas e melodramas clássicos, consumada no clássico “Os Amigos de Alex” (1983), a sua segunda longa-metragem. Mas vale a pena lembrar que, desde muito cedo, ele manteve importantes ligações criativas com as matrizes da aventura — a começar pela participação nos argumentos de “O Império Contra-Ataca” (1980), de Irvin Kershner, e Os Salteadores da Arca Perdida (1981), de Steven Spielberg.

Não admira, por isso, que Kasdan se tenha interessado pelo “western”. Afinal de contas, ao longo das décadas de 1970/80 assistiu-se à proliferação de novas aventuras do Oeste apostadas em refazer as epopeias clássicas, agora com um toque especial, da tragédia ao humor, da evocação histórica ao tratamento paródico.

Foi assim que surgiu “Silverado” (1985), na altura um gigantesco fenómeno de popularidade, agora disponível numa plataforma de streaming. Kasdan escreveu o argumento (em colaboração com o irmão, Mark Kasdan) e realizou aquela que é uma genuína saga “à moda antiga”, narrando, com exuberância e ironia, a experiência de um grupo de pistoleiros que assume a defesa de uma cidade ameaçada por um bando fora-da-lei.

Fotografado em cores festivas pelo talentoso John Bailey, “Silverado” apresenta, além do mais, um invulgar elenco, típico “ensemble cast” em que, de facto, não há uma figura central, mas sim um colectivo tecido de muitos contrastes. Por um lado, encontramos intérpretes que já tinham participado em “Os Amigos de Alex”, como Kevin Kline e Jeff Goldblum; por outro lado, surgem, entre outros, Scott Glenn, Rosanna Arquette, Kevin Costner, Brian Dennehy, Danny Glover e Linda Hunt. Em resumo: um genuíno filme de aventuras, dominado, não pelos efeitos especiais, antes pelos desafios e proezas físicas dos seus heróis.

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