Opinião

Põe.Tira. Abre. Fecha. Fica. Sai. 

Frases, pensamentos, citações e ordens que nos governam há precisamente 200 dias.

«Não vale a pena usar máscara».

Ou, afinal, vale.

(quando houver)

Confina e decreta emergência.

Números maus.

Muitos casos.

Mortos.

«O Sistema não aguenta».

Não sai, não vai à rua, fecha tudo, ou quase tudo.

Fábricas - algumas - trabalham.

Cafés, farmácias e supermercados.

Confina.

Fecha tudo.

Acaba a emergência.

Desconfina, mas devagar, primeiro.

Depressa, depois.

«Temos de voltar a gastar, a pôr a economia a funcionar».

Voltar ao «novo normal».

Com máscara, afinal, sempre faz diferença.

Desconfina mas não ajunta.

Não ajunta mas enche transportes públicos.

«Não há transmissão nos transportes».

Fecha lares.

Acaba com visitas.

Liberta reclusos.

Usa máscara.

«Não podemos voltar a fechar».

Abre a escola.

A escola não pode «voltar a fechar».

Há ajuntamentos. Normais.

Fecha bares à noite.

Proíbe venda de álcool.

Fecha estádios.

Abre concertos.

Abre comícios.

Limita restaurantes.

Bares fechados.

Concertos abertos.

Santuários cheios.

Faz teste.

Não faças teste.

Há testes para todos.

Testes só com receita.

Tens febre? Vai para casa.

Tens febre? Faz o teste.

Não faças o teste.

Quem paga o teste?

Usa máscara.

Lava as mãos.

Se puderes fica em casa.

Se puderes, sai.

«Não podemos voltar a fechar».

«Um aluno infetado é uma turma infetada».

A infeção, afinal, ganha-se em casa.

Na família.

Fecha lares.

Reabre lares.

Surto nos lares.

Lares sem médicos.

E sem licença.

Relatórios dramáticos

Contestados.

DGS esteve bem.

DGS andou mal.

Fiquem em casa.

Saiam.

Temos de voltar ao «novo» normal.

«Não podemos voltar a fechar».

Números aumentam.

Gabinete de crise.

Lavem as mãos.

Mantenham a distância.

Compramos vacinas

(que ainda não há).

Vacinas no bom caminho.

Não há vacinas.

Testes suspensos.

Testes avançados.

Lava as mãos.

Não dês beijos.

Nem abraços.

Usa máscara.

Mantém a distância.

Vai à rua.

Se puderes fica em casa.