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Deep Nostalgia. A "magia" que dá vida às fotografias antigas

Através de tecnologia de inteligência artificial, as fotografias carregadas pelos utilizadores começam a mexer-se.

Quando Harry Potter pegava no jornal e as imagens se moviam: era magia – magia da história e magia do cinema. Mas o que J.K. Rowling imaginou está perto de se tornar uma realidade. O Deep Nostalgia – Nostalgia Profunda, em português – é um novo serviço oferecido pelo site MyHeritage, que utiliza inteligência artificial para analisar e animar as fotografias dos seus entes queridos.

O processo é simples: carrega-se a imagem na plataforma que reconhece os principais pontos da face através de algoritmos de inteligência artificial e atribui-lhes uma animação. O serviço, lançado no início de fevereiro, tornou-se um sucesso nas redes sociais, motivado pelo período de teste que permite a realização de animações de forma gratuita.

As fotografias dos entes queridos não são as únicas a serem utilizadas neste serviço. Várias pessoas testaram a tecnologia em ilustrações e até em estátuas. O resultado nem sempre é harmonioso. É o caso do Deep Nostalgia aplicado ao famoso busto de Cristiano Ronaldo, criado por um artesão madeirense para a cerimónia de nomeação do Aeroporto Cristiano Ronaldo, no Funchal.

“Algumas pessoas adoram o serviço Deep Nostalgia e consideram-no mágico, enquanto outros acham que é estranho e não gostam”, afirma a empresa MyHeritage, citada pelo The Guardian. “De facto, os resultados podem ser controverso e é difícil ficar indiferente a esta tecnologia. Este serviço é para situações de nostalgia, ou seja, para trazer os antepassados de volta à vida. O nossos vídeos não incluem fala para evitar abusos, tais como a criação de vídeos ‘deep fake’ de pessoas vivas”, explica.

Os “deep fakes” são vídeos onde é aplicada uma técnica de manipulação que permite mapear a cara de pessoa nas filmagem de outra, sem que seja percetível ao olho humano. A tecnologia que permite a criação de deep fakes tem evoluído muito rapidamente nos últimos anos, sendo cada vez mais aperfeiçoada. Chegam a existir casos em até os programas de computador especializados em identificar imagens manipuladas têm dificuldade em reconhecer estes vídeos como falsos.

Esta técnica pode ser usada para momentos de divertimento - como o vídeo onde Bruce Lee substitui papel de Keanu Reeves numa cena do filme Matrix, ou em que Jim Carrey substitui Jack Nicholson no filme The Shining - mas também podem constituir conteúdos de fake news. O Polígrafo SIC mostrou como se cria um vídeo deep fake, utilizando uma clip partilhado nas redes sociais onde, supostamente, a rainha Isabel II surge a dançar.