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Protestos na Rússia pela libertação de Navalny com mais de 3.400 detidos

MAXIM SHIPENKOV

Cerca de 15 mil manifestantes ter-se-ão juntado na Praça Pushkin, em Moscovo.

A polícia russa deteve mais de 3.400 pessoas nos protestos deste sábado em mais de 80 cidades exigindo a libertação do opositor Alexei Navalny, segundo o OVD-Info, um grupo não governamental que contabiliza detenções por motivos políticos.

Em Moscovo, a agência de notícias AFP estimou em 15 mil o número de manifestantes que se juntou na Praça Pushkin e noticiou que houve confrontos com a polícia, dos quais resultaram várias detenções, entre as quais as da mulher de Alexei Navalny.

Também este sábado, o chefe da diplomacia europeia anunciou que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia vão reunir-se na segunda-feira para "ponderar as medidas" para pressionar a Rússia a libertar o líder da oposição.

"Discutiremos os próximos passos com os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia na segunda-feira; a UE apela à libertação do senhor Navalny e esta reunião deve começar a ponderar as medidas a tomar para apoiar esta exigência", escreveu o Alto Representante para a Política Externa europeia, Josep Borrell, numa mensagem no Twitter, na qual criticou as "detenções em massa" na Rússia.

As manifestações foram convocadas para dezenas de cidades russas depois da detenção de Alexei Navalny quando regressou à Rússia, na semana passada, algumas delas com os protestantes a enfrentarem temperaturas de -50 graus.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia exigiu explicações da embaixada norte-americana, que terá publicado o itinerário das manifestações.

"Do que se trata, é para influenciar ou dar instruções aos manifestantes?", perguntou a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, no Facebook, acrescentando que "os colegas americanos terão de vir explicar-se à Praça Smolenskaya", a sede da diplomacia russa.

Os protestos estenderam-se a todo o território da Rússia, desde a ilha de Yuzhno-Sakhalinsk, a norte do Japão, até à cidade siberiana de Yakutsk, onde as temperaturas rondavam hoje os -50 graus, passando pelas mais populosas cidades russas europeias.

Segundo a AFP, a dispersão dos protestos por todo o território mostra o apoio ao candidato opositor e à sua campanha contra a corrupção, que conseguiu criar uma extensa rede apesar da repressão do governo e de ser repetidamente ignorado pelos órgãos de comunicação estatal.