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Ataque em Nice. Pelo menos 3 mortos, incluindo uma mulher decapitada

ERIC GAILLARD

O primeiro-ministro francês elevou o nível de alerta terrorista em todo o país.

Pelo menos três pessoas morreram, uma delas decapitada, e várias ficaram feridas esta quinta-feira na sequência de um ataque com recurso a faca, na cidade francesa de Nice. O atacante foi detido pelas autoridades e o caso está a ser tratado como um ataque terrorista.

Este é o terceiro ataque em dois meses, em França.

O atacante foi detido e levado para o hospital, depois de ser baleado pela polícia durante a detenção. Acredita-se que terá agido sozinho e as autoridades não estão à procura de mais suspeitos.

O homem, que ainda não foi identificado, terá gritado várias vezes 'Allahu akbar' (Alá é grande) durante o ataque e a detenção, de acordo com o presidente da Câmara de Nice, Christian Estrosi.

As agências internacionais adiantam que uma das vítimas mortais é uma mulher foi decapitada. Marine Le Pen também referiu o caso de decapitação durante a sessão desta quinta-feira no Parlamento, que suspendeu o debate para fazer um minuto de silêncio pelas vítimas.

Governo francês eleva nível de segurança

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, elevou esta quinta-feira o nível de alerta terrorista em todo o país, na sequência do ataque.

A segurança de edifícios, transportes e locais públicos vai ser elevada para o nível "emergência atentado".

Castex, que anunciou a medida na Assembleia Nacional, qualificou o ataque de "ignóbil, bárbaro e abjeto" e prometeu uma resposta "firme, implacável e imediata".

ERIC GAILLARD

De acordo com a agência Reuters, o ataque aconteceu por volta das 09:00 locais (08:00 em Lisboa), junto à igreja Notre-Dame.

Duas das vítimas mortais foram encontradas no interior da igreja, enquanto a terceira pessoa morta no ataque foi descoberta no exterior, como conta o correspondente da SIC em França, Guilherme Monteiro.

O ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, confirmou que estava a decorrer uma operação policial na cidade, enquanto o autarca local, Christian Estrosi, indicou que se trata de um ataque terrorista.

"Tudo sugere um ataque terrorista dentro da Basílica de Notre-Dame", escreveu Estrosi no Twitter, acrescentando que o autor do crime já está a ser interrogado pela polícia.

A procuradoria antiterrorista francesa anunciou a abertura de uma investigação por assassínio e tentativa de assassínio.

O Ministro do Interior, Gérald Darmanin, anunciou na rede social Twitter a realização de uma "reunião de crise" em Paris, por causa do ataque. O Presidente francês, Emmanuel Macron, também vai estar presente nesta reunião, anunciou o palácio do Eliseu.

O tráfego dos elétricos foi interrompido nesta área movimentada.

"A situação está sob controlo, não devemos entrar em pânico", disse a polícia local.

Em Nice, as imagens dos meios de comunicações franceses mostraram o bairro encerrado e cercado pela polícia e veículos de emergência. Os sons das explosões podiam ser ouvidos, já que agentes das forças de segurança explodiam objetos suspeitos.

As reações ao ataque

O primeiro-ministro António Costa enviou uma mensagem de solidariedade ao Governo francês. No Twitter, o chefe de Governo português escreveu que o terrível ataque desta manhã em Nice vem "reforçar a determinação em manter a Europa unida contra o ódio, na defesa da liberdade e da tolerância".

O primeiro-ministro britânico recorreu ao Twitter para dizer que o Reino Unido está do lado de França. Boris Johnson confessou-se chocado com o "ataque bárbaro".

"Os nossos pensamentos estão com as vítimas e as suas famílias e o Reino Unido está do lado de França na luta contra o terrorismo e a intolerância."

Também nas redes sociais, a chanceler alemã Angela Merkel expressou a "solidariedade" da Alemanha com a França.

"Estou profundamente abalada com os assassínios cruéis numa igreja em Nice (...) Nestes tempos difíceis, a Alemanha envia a sua solidariedade à nação francesa."

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, sublinhou a defesa do valor da liberdade ao condenar o "vil atentado". Para Conte, este atentado terrorista "não afeta a frente comum em defesa dos valores da liberdade e da paz".

"As nossas certezas são mais fortes que o fanatismo, o ódio e o terror. Abraçamos as famílias das vítimas e nossos irmãos franceses. Estamos unidos!"

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou toda a sua solidariedade para com França e os franceses após o "abominável ataque", enquanto o Parlamento Europeu se mostrou "profundamente chocado".

"Toda a minha solidariedade para com a França e os franceses. Os meus pensamentos vão para as vítimas do abominável ataque de Nice e para os seus entes queridos", reagiu Charles Michel. E adiantou: "Toda a Europa está convosco".

PROFESSOR DECAPITADO POR MOSTRAR CARICATURAS DE MAOMÉ

Este ataque acontece menos de duas semanas depois da decapitação do professor Samuel Paty, nos arredores de Paris.

Samuel Paty, de 47 anos, lecionava as disciplinas de História e Geografia em Conflans-Sainte-Honorine, nos arredores de Paris (França), e foi decapitado por Abdullakh Anzorov, um refugiado de origem russa e chechena de 18 anos.

O pai de uma aluna de Samuel Paty e o pregador islâmico Abdelhakim Sefrioui estão acusados de "cumplicidade em homicídio terrorista".

Outras cinco pessoas estão também formalmente acusadas, incluindo dois menores que terão identificado a vítima ao homicida, a troco de dinheiro, mas ficaram em liberdade sob custódia judicial.