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Trump irá propor "rapidamente" um nome para o Supremo Tribunal e "provavelmente" será uma mulher

Andrew Harnik

Já Biden defendeu que qualquer votação deve ocorrer depois das eleições presidenciais.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou este sábado que irá propor "muito rapidamente" um nome, "provavelmente" o de uma mulher, para ocupar o lugar deixado vago no Supremo Tribunal dos Estados Unidos com a morte da juíza Ruth Bader Ginsburg.

"Teremos um nomeado muito rapidamente", afirmou Donald Trump, citado pela Agência France-Presse (AFP), antes de partir para um comício da campanha eleitoral, na Carolina do Norte. "Queremos respeitar o processo. Penso que será muito rápido", acrescentou.

O Presidente norte-americano disse ainda que o novo juiz do Supremo Tribunal "provavelmente será uma mulher". "Se alguém me perguntasse, eu diria que uma mulher estaria numa melhor posição. A escolha de uma mulher seria certamente sensata", defendeu.

Biden defendeu que qualquer votação deve ocorrer depois das eleições presidenciais

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu que qualquer votação para o lugar deixado vago por Ginsburg deve ocorrer depois das eleições presidenciais de 03 de novembro, à semelhança do que o presidente do Senado, o republicano Mitch McConnell, tinha imposto em 2016 quando os democratas não puderam apresentar um nome para ser escolhido pelo então presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama.

Senado não deverá indicar novo juiz para o Supremo antes das presidenciais

A senadora republicana Susana Collins considerou hoje que o Senado norte-americano não deverá indicar um novo juiz para a vaga do Supremo Tribunal, deixada pela morte de Ruth Bader Ginsburg, antes das eleições presidenciais de 3 de novembro.

Esta posição surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter exortado o Senado a indicar "sem demora" o nome para a vaga do Supremo Tribunal.

"Dada a proximidade da eleição presidencial, não acho que o Senado deva votar no candidato selecionado antes da votação", escreveu, em comunicado, a representante eleita pelo Maine e a primeira do Partido Republicano a assumir esta posição.

O Presidente "tem a autoridade constitucional para atribuir um cargo vago no Supremo Tribunal e não tenho qualquer objeção que o comité judicial do Senado comece a analisar as referências do seu candidato", acrescentou Susan Collins, que está a liderar uma difícil campanha para conservar o seu lugar.

Mas, "por honestidade para com o povo americano (...) esta decisão de nomeação vitalícia para o Supremo Tribunal deverá ser tomada pelo presidente que será eleito em 03 de novembro", acrescentou a senadora republicana.

"Devemos agir de forma justa e de maneira coerente, independente do partido no poder", referiu Susan Collins, referindo-se à recusa dos senadores republicanos de ouvir o candidato ao Supremo Tribunal escolhido pelo presidente democrata Barack Obama em 2016, sob pretexto de que a eleição está muito próxima.

Ruth Bader Ginsburg, conhecida pelas iniciais RGB, que criticou Donald Trump na campanha de 2016 e era a mais velha da ala liberal, morreu na sexta-feira aos 87 anos de "complicações causadas por um cancro do pâncreas".

Em julho, Ginsburg tinha anunciado que estava a fazer quimioterapia para lesões no fígado, a última das várias batalhas que travou contra o cancro desde 1999.

Nos últimos anos como juíza do Supremo Tribunal, Ginsburg afirmou-se como líder inquestionável da ala progressista da instituição e na defesa dos direitos das mulheres e das minorias, conquistando admiradores entre várias camadas da população norte-americana.

A morte da juíza representa um duro golpe para os progressistas norte-americanos e poderá alterar o equilíbrio da instituição em benefício dos conservadores, de acordo com vários observadores.