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Governo do Líbano demite-se em bloco

Protestos violentos nas ruas de Beirute.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, anunciou hoje a demissão do seu Governo, após o "terramoto" provocado pela devastadora explosão no porto de Beirute na terça-feira, que causou pelo menos 160 mortos.

O pedido de demissão foi aceite pelo Presidente libanês.

O chefe do Governo, que se reivindica como independente e à frente de uma equipa de tecnocratas, culpou a classe política tradicional pelos fracassos do executivo e pela tragédia de 4 de agosto.

"Hoje anuncio a demissão deste Governo", disse Diab dirigindo-se aos libaneses num discurso transmitido pela televisão.

O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab

O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab

Mohamed Azakir

Criticou a "corrupção" que levou segundo ele "a este terramoto que atingiu o país, com todas as suas consequências humanitárias, sociais e económicas".

"A catástrofe que atingiu os libaneses (...) aconteceu devido à corrupção endémica na política, na administração e no Estado", disse o primeiro-ministro.

Esta segunda-feira foi, mais uma vez, marcada por violentos protestos nas ruas de Beirute.

Hannah Mckay

A demissão do Governo está relacionada com as explosões no passado dia 4, no porto de Beirute, que provocaram pelo menos 158 mortos e cerca de 6.000 feridos, e ainda na sequência das acusações de corrupção que levaram a uma crise económica sem precedentes e também à má gestão da pandemia de Covid-19.

NABIL MOUNZER

Antes do início da reunião do Governo, quatro ministros tinham já apresentado a demissão.

Domingo demitiram-se a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, e o do Ambiente e do Desenvolvimento Administrativo, Damiamos Kattar, e, já hoje, a da Justiça, Marie-Claude Najm, e o das Finanças, Ghazi Wazni.

Além do Governo, pelo menos nove deputados do Parlamento libanês também apresentaram a demissão.

As explosões, que as autoridades libanesas têm atribuído a um incêndio num depósito no porto onde se encontravam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, deixaram também cerca de 300.000 pessoas desalojadas, havendo ainda, segundo os mais recentes dados oficiais, cerca de duas dezenas de desaparecidos.

As explosões viram também alimentar a revolta de uma população já mobilizada desde o outono de 2019 contra os líderes libaneses, acusados de corrupção e ineficácia.

ONU envia toneladas de farinha para garantir pão no Líbano

A ONU alertou que a destruição do porto de Beirute colocou o abastecimento de alimentos em grande perigo e anunciou que espera descarregar em duas semanas 17.500 toneladas de farinha para que o Líbano não fique sem pão.

Darren Staples

"Estamos a tentar restabelecer a operação de pelo menos parte do porto para trazer trigo", explicou o chefe do Programa Mundial de Alimentos (PMA), David Beasley, durante uma reunião por videoconferência com os países das Nações Unidas sobre a situação causada pelas explosões ocorridas na semana passada na capital libanesa.

David Beasley lembrou que 85% dos alimentos consumidos no Líbano são importados e que 85% da farinha que entra no país chega pelo porto de Beirute, noticia a agência Efe.

Bolsonaro convida Michel Temer para chefiar missão humanitária no Líbano

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou ter convidado o seu antecessor Michel Temer para chefiar uma missão de ajuda humanitária do Brasil ao Líbano.

O convite ao ex-Presidente Michel Temer foi anunciado no domingo durante uma videoconferência internacional de apoio a Beirute, que contou com a participação de outros chefes de Estado, como do Líbano, Michel Aoun, de França, Emmanuel Macron, ou dos Estados Unidos da América, Donald Trump, e que foi transmitida pelas redes sociais de Jair Bolsonaro.

"Nos próximos dias partirá do Brasil rumo ao Líbano uma aeronave da Força Aérea Brasileira, com medicamentos e materiais básicos de saúde, reunidos pela comunidade libanesa radicada no Brasil. Também estamos a preparar o envio, por via marítima, de quatro mil toneladas de arroz para atenuar as consequências das perdas de stocks de cereais destruídos na explosão", anunciou Bolsonaro na videoconferência.