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Juan Carlos poderá exilar-se em Marrocos

Daniel Ochoa de Olza

Rei emérito deverá exilar-se num país árabe. Altas instâncias políticas portuguesas não têm informação de que Juan Carlos esteja em Portugal.

O antigo rei Juan Carlos comunicou esta segunda-feira ao filho que decidiu deixar Espanha e escolher outro país para viver, perante a repercussão pública das investigações sobre os seus alegados fundos em paraísos fiscais.

Juan Carlos diz que pretende facilitar o exercício das funções de Filipe VI, pelo que deixará de viver no Palácio da Zarzuela e sair de Espanha, perante "a repercussão pública" de "certos eventos do passado".

O rei emérito deverá rumar a Marrocos, país árabe que tem boas relações com Espanha, avança o comentador da SIC, Nuno Rogeiro.

O rei emérito, que abdicou do trono há seis anos após vários escândalos, está a ser investigado por corrupção. Juan Carlos terá recebido 100 milhões de euros da Arábia Saudita.

"Ligações profundas a Cascais"

Elena Fernandes, jornalista espanhola a viver em Portugal, acredita que Portugal pode ser um destino possível para o rei emérito, que tem ligações fortes com Cascais.

Em relação à saída de Juan Carlos, considera que é uma "espécie de corta fogo à volta do atual rei", em que se tenta criar uma distância física para proteger Felipe VI.

Justiça espanhola investiga suspeitas de corrupção

O Supremo Tribunal espanhol decidiu investigar as suspeitas de delito de corrupção do rei emérito, Juan Carlos, na construção do comboio de alta velocidade entre Medina e Meca, na Arábia Saudita.

De acordo com o Ministério Público, a investigação, que passa para o Supremo Tribunal, irá concentrar-se em "delimitar ou descartar" a relevância criminal dos acontecimentos ocorridos desde junho de 2014, quando Juan Carlos deixou de ser Chefe de Estado e, com isso, perdeu a imunidade que a Constituição espanhola lhe concedia.

A procuradoria-geral considera ser necessário realizar "novas diligências que afetam diretamente o rei emérito", que está a ser investigado pelo Supremo Tribunal.

A investigação tem por base um processo iniciado pela procuradoria anticorrupção no final de 2018 para indagar sobre possíveis comissões pagas na adjudicação da construção do comboio de alta velocidade a um consórcio de empresas espanholas em 2011.

"Dada a importância institucional desta investigação", a procuradora-geral do Estado, Dolores Delgado, encarregou o procurador da Câmara de Crimes Económicos, Juan Ignacio Campos, de conduzir a investigação, assistido por três outros procuradores, "que assumirão a inegável complexidade técnica" do processo.

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