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Delegação turca em Moscovo para debater a guerra na Síria

Tropas sírias entram em Alepo

ABDO HAJJ AHMAD / EPA

As forças turcas e sírias, apoiadas pela aviação russa, confrontam-se na província de Idlib.

Uma delegação turca chegou a Moscovo na segunda-feira para discutir a guerra na Síria e as conversações ainda decorrem hoje.

Durante a sessão de segunda-feira, a delegação turca "enfatizou a necessidade de reduzir rapidamente as tensões no campo de batalha e impedir a deterioração da situação humanitária", afirmou o ministro turco, citado pela agência Associated Press.

Segundo o ministro, também estão a ser discutidas medidas que podem ser tomadas para implementar totalmente o cessar-fogo em Idlib, depois de o regime de o Presidente Bashar al Assad ter retomado o controlo de Alepo.

Perto de 400 civis mortos e 900 mil deslocados desde dezembro

Segundo a ONU, os confrontos no noroeste da Síria atingiram "um nível horrível” e provocaram a fuga de 900 mil pessoas desde o início da ofensiva do regime sírio e do aliado russo naquela região em dezembro.

“Estimamos agora que 900 mil pessoas foram deslocadas desde o dia 01 de dezembro, a grande maioria são mulheres e crianças”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para os assuntos humanitários, Mark Lowcock, citado num comunicado.

O anterior balanço divulgado na quinta-feira pela ONU dava conta de cerca de 800 mil deslocados.

Nesse mesmo dia, o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) sublinhou que os sírios que estão no noroeste “estão a enfrentar uma das piores crises desde o início da guerra na Síria".

“Estas pessoas estão traumatizadas e forçadas a dormir ao relento com temperaturas muito baixas, porque os campos de refugiados estão cheios. As mães queimam plásticos para aquecer as crianças. Bebés e crianças mais pequenas estão a morrer por causa do frio”, relatou Mark Lowcock, na nota informativa hoje divulgada.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) afimra que mais de 380 civis foram mortos desde dezembro.

O regime sírio liderado pelo Presidente Bashar al-Assad lançou em dezembro passado, com o apoio de Moscovo (aliado tradicional de Damasco), uma ofensiva contra o último grande bastião jihadista e rebelde do país: a região de Idlib e áreas limítrofes.

“A violência no noroeste da Síria é cega", frisou Mark Lowcock, apelando a um cessar-fogo que, segundo o próprio, “é a única solução”.

“Estamos a receber informações segundo as quais os locais onde estão os deslocados continuam a ser atingidas, provocando mortos, feridos e novas fugas”, acrescentou o responsável.

Mark Lowcock falou também sobre os perigos que enfrentam os trabalhadores humanitários.

“Os funcionários humanitários também são deslocados e mortos”, afirmou o subsecretário-geral da ONU, indicando que uma “grande operação de socorro” estava em curso na Turquia, mas que ficou “desatualizada” perante a escalada da tragédia.

O representante deixou ainda um alerta à comunidade internacional: “A maior tragédia humanitária do século XXI só será evitada se os membros do Conselho de Segurança da ONU (...) ultrapassarem os seus interesses individuais".

Avanço do Presidente sírio com apoio da Rússia

A região de Idlib, considerada como o último grande reduto da resistência contra Bashar al-Assad, é controlada em parte pelo Organismo de Libertação do Levante, uma aliança que integra o grupo ‘jihadista’ Hayat Tahrir al-Sham (HTS, grupo controlado pelo ex-braço sírio da Al-Qaida), e grupos rebeldes, alguns dos quais apoiados pela Turquia.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.

Num território fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 380 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

O testemunho dos deslocados pela guerra na Síria

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