Mundo

Sinais de forte radioatividade no local de partida da chama olímpica em Fukushima

Campo de futebol na J-Village, a cerca de 20 km da central nuclear de Fukushima.

Issei Kato / Reuters

A Greenpeace exige novas medições da radiação e mais esforços para a limpeza do local do desastre nuclear de 2011.

A Greenpeace denunciou esta quarta-feira, 4 de dezembro, que foram detetados "pontos quentes" de radiações na região de Fukushima, perto do local de partida da digressão da chama olímpica pelo Japão.

O Ministério do Ambiente japonês garante que a zona é, no geral, segura e diz que as comunidades locais estão atentas até à abertura dos Jogos Olímpicos 2020, a 24 de julho.

A Greenpeace exige novas medições da radiação e mais esforços para a limpeza, alertando que as últimas investigações deram conta de níveis elevados de radiação no complexo desportivo J-Village, a cerca de 20 km da central nuclear que foi destruída pelo tsunami de 2011.

O Governo japonês está empenhado em usar os Jogos Olímpicos para mostrar ao mundo que Fukushima recuperou do triplo desastre: o terramoto de magnitude 9, seguido de tsunami e a catástrofe nuclear.

Concebido originalmente como centro desportivo, o J-Village foi utilizado durante vários anos como centro operacional de luta contra as consequências da catástrofe nuclear e de limpeza da central.

Voltou a ser utilizado como centro desportivo em abril deste ano e é o local que o governo japonês quer que seja o ponto de partida para o trajecto japonês da chama olímpica.

A Greenpeace diz que detetou taxas de radiação de 1,7 microsieverts por hora a um metro de acima do solo. Ao nível do solo, foram detetados "pontos quentes" de 71 microsieverts por hora.

Posto de medição de radiação na J-Village, perto da central nuclear de Fukushima.

Posto de medição de radiação na J-Village, perto da central nuclear de Fukushima.

Issei Kato / Reuters

Sievert: unidade do Sistema Internacional de dose de radiação equivalente absorvida, de símbolo Sv, que corresponde à dose de radiação equivalente a um joule por quilograma de matéria absorvente (Infopédia).

A taxa admitida pelas normas de segurança nacionais japonesas é de 0,23 microsiervert por hora. E a taxa normal em Tóquio é de cerca de 0,04 microsieverts por hora.

O site da J-Village apresenta um quadro com valores detetados na região: à entrada do centro marcava na quarta-feira 0,111 microsieverts.

A Tokyo Electric Power, operadora da central de Fukushima, afirma ter feito uma limpeza ao local após ordem no Ministério do Ambiente.

A Greenpeace diz que enviou as suas medições ao Governo japonês e aos organizadores locais e internacionais dos Jogos Olímpicos.