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Trump diz que não colabora com inquérito de destituição sem votação no Congresso

Kevin Lamarque

"Eu acredito que eles (Democratas) vão pagar um preço tremendo pelo inquérito", explicou Donald Trump.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje que a Casa Branca não colaborará com o inquérito de destituição a que está a ser sujeito, sem uma votação formal no Congresso.

A maioria Democrata iniciou na passada semana um inquérito para a destituição do Presidente, acusando Donald Trump de pressionar o Presidente da Ucrânia a investigar as atividades naquele país do filho de Joe Biden, antigo vice-Presidente e atual candidato nas primárias do Partido Democrata.

Em declarações aos jornalistas, o Presidente disse que a Casa Branca não colaborará com os Democratas no inquérito sem uma votação formal no Congresso, anunciando que irá enviar uma carta a Nancy Pelosi desfiando-a a não avançar com o processo de 'impeachment' sem a aprovação de uma maioria na Câmara de Representantes.

Trump reconhece que a maioria Democrata na Câmara de Representantes poderá fazer seguir o processo para o Senado (onde os artigos de destituição teriam de ser aprovados, havendo aí uma maioria Republicana, para que o Presidente pudesse ser removido do cargo), mas considera que este processo pode "sair-lhes pela culatra".

"Eu acredito que eles (Democratas) vão pagar um preço tremendo pelo inquérito", explicou Donald Trump, repetindo que não fez nada de inapropriado no telefonema ao Presidente ucraniano e que todo este caso tem motivações políticas, para prejudicar a campanha para a sua reeleição em 2020.

Nancy Pelosi anunciou o inquérito de destituição, na passada semana, sem o ter levado a votação na Câmara de Representantes, contrariando a prática de outros processos de 'impeachment', como os que foram dirigidos aos presidentes Richard Nixon, nos anos 1970, e Bill Clinton, nos anos 1990.

Os Republicanos argumentam que, sem uma votação formal, a Câmara de Representantes apenas pode realizar uma ação de supervisão de rotina, o que diminui a capacidade dos delegados para obrigar o Governo a fornecer elementos para o processo.

Contudo, quinta-feira, Pelosi enviou uma carta ao líder da minoria Republicana na Câmara de Representantes, Kevin McCarthy, explicando que "não há na Constituição ou nas regras da Câmara exigência" para uma votação formal, antes de avançar com um inquérito de destituição.

Os analistas dizem que Pelosi, na verdade, evitou uma votação na Câmara para impedir ter de obrigar os Democratas mais moderados, que não estão totalmente confortáveis com este inquérito, a uma votação arriscada.

Contudo, a carta que Donald Trump hoje anunciou que enviará para Nancy Pelosi deverá deixar claro que sem uma votação formal a Casa Branca dificilmente autorizará a divulgação de elementos necessários para apuração dos factos relacionados com o caso ucraniano.

Lusa