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Organizações políticas e sociais protestam por visita de Bolsonaro a Dallas

Adriano Machado

A visita acontece menos de duas semanas depois de ter sido cancelada a deslocação de Jair Bolsonaro a Nova Iorque.

A visita do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, a Dallas, na quinta-feira, a convite do World Affairs Council, será recebida com protestos de várias organizações locais e não terá a presença do mayor da cidade, Mike Rawlings.

O gabinete da presidência da câmara de Dallas confirmou à Lusa que o autarca não vai receber o chefe de Estado brasileiro na cerimónia organizada pelo World Affairs Council of Dallas/Fort Worth, uma organização não partidária e sem fins lucrativos.

A visita acontece menos de duas semanas depois de ter sido cancelada a deslocação de Jair Bolsonaro a Nova Iorque, para uma cerimónia onde seria homenageado pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio como personalidade do ano, devido aos protestos de milhares de pessoas e à pressão sobre as empresas que patrocinavam o jantar de gala.

Em Dallas, além de uma petição que reuniu mais de mil assinaturas contra a visita de Jair Bolsonaro, uma coligação de 12 organizações locais marcou protestos de rua para hoje e para quinta-feira, primeiro na sede do World Affairs Council of Dallas/Fort Worth e depois junto ao local onde irá decorrer a cerimónia, Old Parkland.

As organizações são de caráter político e social, incluindo a Reform Dallas, CodePink Dallas, Veterans for Peace, Party for Socialism and Liberation, DFW Leaders e Transgender Pride of Dallas.

"Quer a cerimónia seja cancelada ou não, é irrelevante", disse à Lusa Hadi Jawad, porta-voz do Dallas Peace and Justice Center, que faz parte da coligação de ativistas em protesto.

"O mais importante é dizermos que ele não é bem-vindo na cidade".

Hawad explicou que o motivo para os protestos é a postura do Presidente brasileiro e os comentários que tem feito em relação a mulheres e pessoas da comunidade LGBTQ. "Ele é um homem tão desagradável", afirmou Hawad. "Como chefe de Estado, devia comportar-se de forma mais responsável".

O porta-voz acrescentou que os cidadãos de Dallas exigem aos seus líderes "padrões mais elevados do que aquilo que Bolsonaro mostrou até agora". Vários vereadores da cidade afirmaram publicamente a sua oposição a qualquer homenagem a Bolsonaro, incluindo Philip Kingston, Omar Narvaez e Scott Griggs, que neste momento é também candidato a mayor.

"A cidade de Dallas tem a obrigação moral de tomar uma posição contra a intolerância", escreveu Scott Griggs na sua conta de Twitter. "Como mayor, eu não vou receber Bolsonaro em Dallas".

A organização de apoio à comunidade LGBTQ+, Take Back Oak Lawn, condenou em comunicado o envolvimento da cidade de Dallas na receção a Jair Bolsonaro, identificando-o como "o líder autoritário do Brasil".

O Resource Center, dedicado a auxiliar membros da comunidade LGBTQ na área metropolitana de Dallas, afirmou que tem abertura para dialogar com responsáveis internacionais mesmo que discorde deles politicamente, mas a linha é pisada "quando esses responsáveis se opõem veementemente à própria existência de pessoas LGBTQ".

O jornal online Dallas Voice, dedicado a notícias relacionadas com esta comunidade, noticiou que o convite a Bolsonaro foi feito por Jorge Baldor, 'chair' do World Affairs Council of Dallas/Fort Worth, que segundo o jornal, é ele próprio membro da comunidade gay.

Lusa

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