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Áudio revela discussão acesa entre pilotos e Boeing antes da queda de avião na Etiópia

STRINGER

364 pessoas morreram na queda dos aviões da Ethiopian Air, em março, e da Lion Air, em outubro do ano passado.

Alguns meses antes da queda do Boeing 737 MAX da Ethiopian Airlines, pilotos da American Airlines confrontaram um oficial da empresa de aviões sobre um sistema que está ligado às duas tragédias com o modelo, numa discussão acesa que foi dada a conhecer esta semana.

O encontro entre os pilotos e a Boeing aconteceu em novembro, semanas depois da queda do 737 MAX da Lion Air, no Mar de Java, e quatro meses antes do mesmo acontecer com o modelo da Ethiopian Airlines, na Etiópia.

A CNN adianta que no áudio é possível ouvir o oficial da Boeing a dizer aos pilotos que as mudanças no software estavam a chegar, mas que a companhia não queria apressar o processo. Os pilotos indicam que não estão familiarizados com o programa eletrónico de estabilidade do 737 MAX, o MCAS.

"Nós precisamos de saber o que está nos nossos aviões", diz um dos pilotos, segundo a emissora norte-americana. "Não discordo", responde o funcionário da empresa.

"Estes gajos nem conheciam o sistema que estava no avião", afirma um piloto, referindo-se aos pilotos da Lion Air. "Ninguém conhecia."

"Eu não sei se o facto de perceber este sistema mudaria o resultado disto", confessa o oficial. "Talvez daqui a milhões de milhas vais tripular este avião, e talvez só uma vez, vais ver sempre isto."

O New York Times foi um dos jornais que revelou o encontro a 27 de novembro e citou os áudios. O jornal norte-americano adiantou que os pilotos estavam frustrados com o facto de a Boeing não ter divulgado a presença do sistema MCAS.

Ao todo, 364 pessoas morreram na queda dos aviões da Ethiopian Air, em março, e da Lion Air, em outubro do ano passado. Mas foi só na segunda tragédia que os modelos 737 Max 8 e 9 pararam de voar, depois de cerca de 60 países interditarem o seu espaço aéreo ou suspenderem temporariamente a utilização das aeronaves do Boeing.

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