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Covid-19: guia sobre a vacinação

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Em Portugal, a vacinação contra a Covid-19 começou em dezembro de 2020. O processo é longo, obedece a critérios rigorosos e pode levantar algumas dúvidas. Este é um guia com várias perguntas e as respetivas respostas que pretende esclarecer quem já foi vacinado ou quem ainda está à espera.

A vacina contra a Covid-19 não é obrigatória. Contudo, as autoridades de saúde recomendam "fortemente" a vacinação de forma a "preservar vidas humanas e a controlar a pandemia".

De acordo com o Ministério da Saúde, ser vacinado contra a Covid-19 permite uma proteção individual contra a doença e as suas complicações, e contribui para a proteção da saúde pública, através da imunidade de grupo.

Quando posso ser vacinado?

► Simulador

As perguntas e respostas que se seguem têm como fonte o Serviço Nacional de saúde, a entidade responsável por executar o plano de vacinação do País.

► Como é feito o agendamento da vacina?

O contacto é feito pelas unidades de vacinação por SMS, por chamada telefónica ou por carta. O utente tem que responder se quer, ou não, tomar a vacina.

O agendamento é depois feito para a primeira data disponível a partir do quinto dia seguinte. Na véspera do dia da toma é enviada uma mensagem a lembrar que tem agendada a vacina.

► Onde são administradas as vacinas?

Para a primeira fase, toda a logística da vacinação está montada de forma a que se possa vacinar em todo o País, utilizando a rede do Serviço Nacional de Saúde.

Nos lares e estruturas similares, os trabalhadores e residentes são vacinados no local por profissionais do Serviço Nacional de Saúde que se deslocam às instituições e, eventualmente, com apoio de recursos do local.

Os profissionais de saúde e outros profissionais prioritários são vacinados no âmbito dos Serviços de Saúde Ocupacional das instituições onde trabalham ou de outros serviços de saúde próprios.

► Quantas doses da vacina é necessário tomar?

O processo de vacinação fica completo depois de tomadas duas doses, no músculo do braço, da mesma vacina, com um intervalo de 3 ou 4 semanas.

Estão em desenvolvimento e investigação outras vacinas para as quais poderá ser necessária apenas uma dose.

► O que fazer após a primeira dose?

Depois de ter recebido a primeira dose, é preciso agendar a segunda, de acordo com a indicação do médico ou enfermeiro.

Para ter proteção é importante ter tomado as duas doses de vacina.

► A vacina tem efeitos secundários?

Tal como qualquer outro medicamento, também a vacina da Covid-19 pode ter efeitos secundários. As reações adversas reportadas têm sido ligeiras e passageiras e incluem, entre outros:

  • dor no local de injeção
  • fadiga
  • dor de cabeça
  • dor muscular
  • calafrio
  • dores articulares
  • febre

Se estiver com febre, tosse, dificuldade respiratória, alterações do paladar ou do olfato não deve ser vacinado e deverá contactar o SNS 24 (808 24 24 24).

Também não deve ser vacinado enquanto estiver em isolamento profilático. Não deve ser vacinado se estiver em isolamento, à espera de um teste Covid-19, ou se não tiver a certeza que está bem.

Doentes oncológicos ou imunodeprimidos podem ser vacinados?

A resposta não é a mesma para todos os doentes.

Cabe ao médico definir, de acordo com a fase da doença ou dos tratamentos que o doente esteja a receber, se pode ou não tomar a vacina e quando a pode tomar.

► Quais foram as vacinas que Portugal comprou?

Portugal adquiriu cerca de 22 milhões de doses, no âmbito dos acordos entre seis farmacêuticas e a União Europeia. As empresas são Astrazeneca, BioNTech/Pfizer, Moderna, Curevac, Janssen e Sanofi/GSK.

► Há vacinas mais eficazes do que outras?

Qualquer vacina que seja autorizada pela EMA (Agência Europeia do Medicamento) terá de demonstrar qualidade, segurança e eficácia.

As principais diferenças entre as vacinas são a forma como induzem o corpo a adquirir imunidade.

Algumas vacinas irão funcionar da forma tradicional. Nesta, são injetadas componentes do vírus e o sistema imunológico reconhece-as como entidades estranhas, desenvolvendo defesas contra elas.

Outras vacinas, as que estão mais adiantadas no processo de autorização, são designadas vacinas de mRNA e injetam informação que permite que o corpo crie uma componente do vírus, que por sua vez vai levar o sistema imunológico a desenvolver defesas.

Atualmente, não existe informação suficiente que permita considerar que uma vacina é melhor que outra.

► Quem já esteve infetado precisa de tomar a vacina?

A grande maioria das pessoas que já tiveram Covid-19 adquiriram proteção contra a doença. Essa proteção aparenta durar pelo menos três ou quatro meses, mas só com o tempo se saberá por quanto tempo mais se prolonga.

Muitos especialistas consideram ser seguro que quem já teve a doença tome a vacina. Contudo, enquanto o número de vacinas for muito limitado, as pessoas que tiveram Covid-19 não serão consideradas prioritárias.

Para já, a vacina destina-se a grupos de risco, ou seja, a quem esta mais vulnerável.

► Quem toma a vacina não será infetado?

Apesar de eficazes, as vacinas não evitam completamente o risco de infeção. Mesmo estando vacinado é possível contrair o vírus. A diferença pode estar nos sintomas que se vai ter ou na forma como evolui a doença.

Há duas hipóteses: ao ser infetado não desenvolve sintomas, ou seja, não desenvolve a doença. Ou caso desenvolva, os sintomas serão muito mais ligeiros do que seriam caso não tivesse tomado a vacina.

Depois de tomar a vacina, quanto tempo se fica imune ao vírus?

Por enquanto não se sabe ao certo, nem se sabe se mais para a frente será necessário tomar uma nova vacina. Tudo vai depender dos resultados.

Devo continuar a usar máscara e respeitar o distanciamento depois de tomar a vacina?

Mesmo depois de ser vacinada, a pessoa deve continuar a cumprir todas as medidas para a sua proteção, incluindo o uso de máscara.

Um vacinado só se deve considerar protegido da doença sete dias depois da toma da segunda dose da vacina. Este é o período de tempo que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário.

É importante perceber, no entanto, que desconhece-se ainda se estar vacinado impede infeção assintomática.

As vacinas conferem proteção contra a doença, mas não necessariamente contra ser portador e transmissor do vírus, sem exibir sintomas. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos portadores do vírus sem o saber.

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