Opinião

Sessão de Cinema: “As Horas”

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Virginia Woolf, aliás, Nicole Kidman no filme que lhe valeu o Oscar de melhor actriz de 2002

Três mulheres vivem em épocas diferentes sob o signo do romance “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf — são interpretadas por Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep.

Pergunta de algibeira: qual é o filme em que Nicole Kidman compôs uma personagem com um nariz postiço? E mais outra: que título lhe valeu aquele que é, até agora, o seu único Oscar? Ou ainda: quando é que Kidman interpretou a escritora Virginia Woolf (1882-1941)?

Pois bem, as três questões têm a mesma resposta: o filme em causa é “As Horas”, produção de 2002 com realização de Stephen Daldry, tendo como base o livro homónimo de Michael Cunningham, vencedor do Pulitzer de romance referente a 1998. Já disponível em streaming, “As Horas” é um caso raro de observação das evidências e mistérios do mundo feminino, centrando-se em três mulheres tocadas e, num certo sentido, assombradas pela definição da mesma personagem: Virginia Woolf — e, muito em particular, pelo seu romance Mrs. Dalloway (1925).

Encontramos, assim, uma narrativa em três tempos: na década de 1920, surge a escritora, lutando com a depressão, tentando consumar o seu livro; nos anos 50, uma dona de casa, interpretada por Julianne Moore, vive uma gravidez no interior de um casamento a desmoronar-se; enfim, em cenários contemporâneos, Meryl Streep é uma cidadão de Nova Iorque que tenta montar uma festa em honra de um amigo que sofre de sida.

Tudo isto envolve um verdadeiro festival de interpretações ao serviço de um estudo minucioso sobre os enigmas das relações humanas (“As Horas” obteve um total de nove nomeações para os Oscars, incluindo a de melhor filme do ano). Foi, além do mais, o momento de absoluta consagração de Daldry, cineasta inglês que se tornara conhecido dois anos antes com a comédia dramática “Billy Elliot”.

HBO