Operação Marquês

Defesa de Sócrates acusa procurador da Operação Marquês de promover julgamento na rua

ANTONIO COTRIM / POOL

"O senhor procurador [Rosário Teixeira] ambiciona um julgamento na rua para José Sócrates, aliás já nem sequer quer julgamento, quer sim abafar a decisão jurisdicional e ganhar na secretaria."

A defesa do ex-primeiro-ministro José Sócrates acusou esta quarta-feira o procurador da Operação Marquês Rosário Teixeira de ter ambicionado um julgamento na praça pública, alegando que a acusação não tem sustentação e está "cheia de ilegalidades".

Lamentando que o procurador Rosário Teixeira não esteja presente no debate instrutório da Operação Marquês, que decorre esta quarta-feira em Lisboa, o advogado Pedro Delille considerou, na sua contestação, que o magistrado do Ministério Público (MP) desistiu da acusação e que jogou a toalha ao chão em relação a José Sócrates, tendo-se refugiado "em conceitos vazios de personalidade, de moralidade para fingir que havia indícios fortes" dos crimes que são imputados aos ex-primeiro-ministro.

"O senhor procurador [Rosário Teixeira] ambiciona um julgamento na rua para José Sócrates, aliás já nem sequer quer julgamento, quer sim abafar a decisão jurisdicional e ganhar na secretaria", afirmou Delille, reiterando que a acusação não é sustentada e que, no debate instrutório, o MP gastou "menos de 15 minutos a falar sobre a acusação a José Sócrates".

"O procurador envolveu este processo numa teia tão grande de ilegalidades que dá a impressão de querer ganhar na secretaria", sustentou o advogado, lamentando que o MP não tenha apresentado conclusões na fase do debate.

As alegações iniciais da defesa centraram-se nas criticas ao procurador Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), "o grande mentor da acusação", acusando-o de se refugiar em ilusionismos "paria fingir que havia indícios" contra Sócrates e deixando a crítica de o MP "não ter apresentado conclusões" na fase de debate.

"Esperava que tivessem reconhecido que havia prova zero e que pedissem a não pronuncia, ou que sustentassem aqui a atuação formulada, mas não fizeram uma coisa nem outra", lamentou.

Sócrates acusado de três crimes de corrupção

José Sócrates está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

No seu depoimento na fase de instrução, José Sócrates reiterou que a acusação é "monstruosa, injusta e completamente absurda".

Defesa do primo de Sócrates fala em manipulação no sorteio inicial da Operação Marquês

A defesa do primo de José Sócrates diz que houve manipulação no sorteio inicial da Operação Marquês ao juiz Carlos Alexandre.

As suspeitas regressaram ao debate instrutório do processo, que começou esta quarta-feira com a defesa de Joaquim Barroca, antigo administrador do Grupo Lena.

O Ministério Público acredita que do Grupo Lena têm origem seis dos 34 milhões de euros que terão chegado às mãos do ex-primeiro-ministro.

Defesa de Bataglia nega que empresário tenha sido beneficiado por acordo de delação

A defesa de Hélder Bataglia nega que o empresário luso-angolano tenha sido beneficiado por um alegado acordo de delação premiada. A acusação tinha sido feita pela advogada do amigo de José Sócrates durante o debate instrutório da Operação Marquês.

Constituído arguido em 2016, Hélder Bataglia é visto no processo como uma testemunha central para a tese de que José Sócrates foi corrompido por Ricardo Salgado.

Está acusado de branqueamento de capitais, fraude fiscal, falsificação de documento e abuso de confiança. A defesa entende que a maioria dos crimes não podem sequer ser julgados em Portugal.

Como vivem os arguidos da Operação Marquês?

No espaço de 5 anos, Armando Vara passou a cumprir uma pena de prisão em Évora. Ricardo Salgado foi condenado pelo Banco de Portugal e está a ser alvo de mais processos. José Sócrates passou a viver na Ericeira.