Football Leaks

Rui Pinto vai ser julgado por 90 dos 147 crimes de que está acusado

Rui Pinto

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Decisão instrutória divulgada esta sexta-feira.

Rui Pinto, criador do Football Leaks, vai ser julgado por tentativa de extorsão à Doyen e acessos à PGR, sociedade de advogados PLMJ, Sporting e Federação Portuguesa de Futebol. Caem, assim, alguns dos crimes de violação de correspondência, por não terem tido queixas por parte dos ofendidos.

O alegado pirata informático vai ser julgado por 90 dos 147 crimes de que estava acusado. Também o seu advogado, à data dos factos, Aníbal Pinto, acusado de intermediar a tentativa de extorsão de entre 500.000 euros a um milhão de euros ao fundo de investimento Doyen, vai ser julgado pelo crime de extorsão na forma tentada.

Esta sexta-feira, a juíza de instrução criminal Cláudia Pina procedeu à leitura da decisão instrutória no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Advogado: "Parte dos objetivos foram cumpridos"

À saída do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, o advogado de Rui Pinto reagiu à decisão da juíza Cláudia Pina.

Segundo Francisco Teixeira da Mota, uma parte dos objetivos foram cumpridos, principalmente, os que estavam relacionados com a designação de alguns crimes. O advogado avança ainda que, à partida, a decisão não é recorrível, mas que ainda tem que analisar a deliberação e consultar o seu cliente.

O que aconteceu no debate instrutório

No debate instrutório, todos os assistentes pediram julgamento para Rui Pinto e o advogado Aníbal Pinto. A advogada do fundo de investimento Doyen defendeu que o arguido não é um 'whistleblower' (denunciante), mas alguém que procurou "doações generosas" pela sua atuação, acrescentando que neste processo foi possível às autoridades "encontrar a pessoa por trás do computador, por trás da intrusão".

Também a defesa dos advogados que trabalhavam à data dos factos na sociedade PLMJ, pugnaram igualmente pela pronúncia de Rui Pinto nos exatos termos da acusação do MP, destacando a "gravidade extraordinária" da sua conduta, ao expor publicamente as caixas de correio e informações de clientes e colaboradores desta sociedade de advogados.

Já o advogado da Ordem dos Advogados considerou "inequívocos" os acessos ilegítimos. Também o advogado da Federação Portuguesa de Futebol pediu que a juíza de instrução criminal Cláudia Pina levasse a julgamento os arguidos pelos factos que constam da acusação do MP.