Polígrafo

Costa não se demite se houver chumbo do Orçamento

Declarações são do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes, que relembra da disponibilidade do Governo para ouvir parceiros.

Em entrevista ao Polígrafo SIC, o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro refere que o Governo continua convicto de que o Orçamento do Estado será aprovado e volta a insistir na disponibilidade do Executivo em ouvir os parceiros à Esquerda até à votação na generalidade, relembrando, contudo, as cedências que já foram feitas.

Sobre o Conselho de Ministros extraordinário desta segunda-feira, Tiago Antunes refere que "é normal que o Governo reúna e analise a situação" após o anúncio do voto contra dos partidos à Esquerda.

"O Governo tem de fazer uma reflexão porque foi confrontado com uma posição que os portugueses não entendem", na votação para um Orçamento que diz ter "muitos avanços significativos e propostas de compromisso".

O secretário de Estado dá - por diversas vezes - exemplos de medidas levadas a cabo que considera estarem perto das defendidas pelos partidos da Geringonça: o "maior aumento de sempre do salário mínimo", o aumento de 10 euros nas pensões mais baixas ou os 700 milhões de euros para o setor da saúde.

Tiago Antunes diz, assim, que o Governo continua disponível para negociar e chegar a um entendimento "até ao último segundo, mas, para isso, tem de haver genuína vontade negocial do outro lado", frisando, também, que o Governo nunca tomou PCP e Bloco de Esquerda como garantidos, sempre "levando as negociações a sério".

"Não vou atirar a toalha ao chão", diz o secretário de Estado.

Considera, igualmente, que um acordo escrito, a ter sido assinado, "não seria assim tão decisivo" no atual quadro político, e que muitas das medidas do atual Orçamento do Estado foram cumpridas, desmentindo quem refere que tal não aconteceu.

Relativamente à possibilidade de eleições antecipadas, refere que "só depende do Presidente da República", mas diz que "tudo o que o país não precisa é de uma crise política".

Sobre António Costa, Tiago Antunes parece deixar duas certezas: "não se coloca outro cenário" que não Costa ir a jogo em caso de eleições antecipadas - mesmo não sendo a existência destas o desejo do Governo - e que o atual primeiro-ministro não se demite caso haja chumbo do Orçamento do Estado.

O membro do Governo termina a apontar que espera "que não se abram portas para a Direita no poder", mas que "se se abrir o processo eleitoral", tudo fica em aberto.

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