Eleições nos EUA

EUA: pela 1.ª vez na história, transferência de códigos nucleares precisou de coreografia a dois tempos

Mike Segar

Joe Biden tomou posse esta quarta-feira como 46.º presidente dos Estados Unidos.

Os códigos nucleares foram esta quarta-feira entregues ao novo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas, pela primeira vez na história, a transferência, habitualmente discreta, necessitou de uma coreografia a dois tempos.

Como Donald Trump se recusou a participar na cerimónia de tomada de posse do seu sucessor, facto sem precedentes nos últimos 150 anos, a transferência dos códigos na tribuna onde decorre a tomada de posse, exigiu este ano dois exemplares da mala contendo todos os elementos necessários para um ataque nuclear, e que acompanha o Presidente norte-americano em todas as circunstâncias.

Esta quarta-feira de manhã, quando se deslocava para a base militar de Andrews, próximo de Washington, para seguir para a sua residência em Mar-a-Lago, na Florida, Trump ainda era Presidente dos Estados Unidos e, nesse sentido, contava com apoio militar para o transporte da famosa mala.

"Biscoito"

Trump ainda tinha em seu poder o pequeno cartão de plástico que contém os códigos nucleares, conhecido por "biscoito".

Mas, na mesma altura, em Washington, outro grupo de apoio militar, portador de uma outra mala e de um outro "biscoito", tomou o seu lugar na tribuna erigida nas escadarias do Capitólio para a tomada de posse de Biden.

E, exatamente às 12:00 locais (17:00 em Lisboa), quando a ajuda militar do presidente cessante deu a mala à segurança do novo chefe de Estado, o "biscoito" de Trump foi simplesmente desativado, como um cartão de crédito vencido.

Paralelamente, foi atribuído um novo "biscoito" a Biden, ativado em Washington, dando oficialmente ao 46.º Presidente dos Estados Unidos o poder absoluto sobre o uso das armas nucleares norte-americanas.

A troca, porém, não representou qualquer problema logístico, porque o Governo norte-americano tem três malas: uma que segue sempre com o Presidente, outra no gabinete do vice-Presidente, para o caso de algo acontecer ao chefe de Estado, e outra ainda de reserva.

No rescaldo do ataque liderado por apoiantes de Trump ao Capitólio, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, expressou a sua inquietação por um "Presidente instável" estar na posse de um direito exclusivo de ordenar um ataque nuclear.

Um antigo secretário da Defesa, William Perry, apelou a Biden para que se livre da mala, considerando que o sistema atual é "antidemocrático, desatualizado, desnecessário e extremamente perigoso".

Joe Biden já está na Casa Branca

O novo Presidente norte-americano, Joe Biden, já está na Casa Branca.

Depois da cerimónia de tomada de posse no Capitólio, Biden fez o percurso de carro, pela primeira vez numa comitiva presidencial.

Já perto daquele que vai ser o seu escritório nos próximos 4 anos, Joe Biden saiu do carro, percorreu a Avenida Pensilvânia alguns metros e cumprimentou alguns apoiantes.

Rodeado pela família e por um forte dispositivo de segurança, o 46.º Presidente dos Estados Unidos entrou no edifício sede da administração norte-americana.

Já dentro do perímetro da Casa Branca, Biden e a mulher, Jill, caminharam por entre as bandeiras dos 50 estados dos EUA, antes de entrar na porta da ala oeste, onde Biden se sentará na sala oval para assinar os primeiros decretos presidenciais.

Inicia-se agora um novo ciclo político nos Estados Unidos da América e termina, simbolicamente, a era Trump.

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