Eleições nos EUA

O país precisa de um presidente apaziguador pois o futuro não se avizinha fácil

Sem querer fazer comparações com Portugal, Carlos Gabriel Abreu, chef de cozinha a viver em Miami, na Florida, considera que talvez seja uma oportunidade de os americanos elegerem um presidente de afetos pois, neste último ano, os cidadãos encontraram-se divididos.

Vivo nos Estados Unidos há 7 anos. Cheguei em outubro de 2013, quando o Presidente era o Barack Obama e o vice-presidente Biden. Em Portugal, tinha a ideia que os Estados Unidos eram um país acolhedor e extremamente unido em relação à política interna e externa, liderado por Barack Obama, e pude comprovar isso mesmo quando aqui cheguei.

Entretanto, Donald Trump foi eleito Presidente e desde essas eleições os Estados Unidos da América mudaram muito. Os primeiros meses do seu mandato foram marcados por vários escândalos e investigações sobre a maneira como foi eleito. Trump dissolveu o Tratado de Paris o que se está a revelar um fracasso na gestão ambiental.

Quanto aos aliados na Europa, pôs em causa a relação fraterna que existia entre o Atlântico e tornou-se em mais uma das políticas falhadas.

Hoje, consto que Trump não tem um programa político coeso para os próximos 4 anos.

Sobre Biden, discute-se muito aqui nos Estados Unidos, a sua idade avançada. No meu ponto de vista, Kamalla Harris é o ponto forte dos Democratas nestas eleições.

Se eleições tivessem sido em Fevereiro, Trump não teria tido dificuldade para se reeleger: a economia estava forte, os americanos estavam a apoiar a guerra comercial que se tinha declarado à China, Bolsa estava em alta e a taxa de desemprego em nível historicamente baixos.

No entanto, o aparecimento do Covid 19 veio mudar completamente este panorama.

A forma como Donald Trump conduziu esta situação veio a revelar falta de preparação e descaso para lidar com a atualidade Mundial.

A nível eleitoral discute-se o uso da máscara como sendo uma arma política. Biden é um defensor do uso e Trump deixa o seu uso ao critério de cada cidadão.

Sinto um enorme receio a partir do dia 3 de novembro e preocupa-me se houver uma derrota de Trump. Os grupos supremacistas brancos não vāo aceitar a derrota facilmente.

Assisto hoje à preocupação dos meus filhos de 10 e 8 anos em relação aos políticos que nos governam aqui nos Estados Unidos, algo impensável para mim, quando tinha a idade deles.

Espero que haja uma mudança de políticas ambientais e económicas para que o Mundo possa olhar para os Estados Unidos como um aliado e não como um inimigo. Neste momento, o país precisa de um presidente apaziguador pois o futuro não se avizinha fácil, após o ato eleitoral.

Sem querer fazer comparações com Portugal, talvez seja uma oportunidade de os americanos elegerem um presidente de afetos pois, neste último ano, os cidadãos encontraram-se divididos.

Dia 3 de Novembro veremos qual será o rumo do país.

Acompanhe o especial Eleições nos EUA para mais informações.

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