É um problema de amor

"Portugal era um atraso de vida"

Humberto Candeias

Humberto Candeias

Repórter de Imagem

Vanda Paixão

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Editora de Imagem

Jorge Palma tinha saído de Portugal há pouco tempo quando o país vive a profunda mudança de regime político da ditadura para a democracia.

Palma estudava engenharia, mas já estava muito ligado à música. Passou pelo grupo Sindicato e em 1972, começaria a carreira a solo com o álbum "The Nine Billion Names of God", um trabalho marcado pelo interesse do músico na obra de Arthur C. Clark e no livro "O Despertar dos Mágicos", de Louis Pauwels e Jacques Bergier.

Era o tempo da censura num país que Palma descreve como "um atraso de vida". E era também o período da descoberta da força da língua portuguesa na luta contra a ditadura. O músico lembra, com saudade, a mestria e paixão do poeta e declamador José Carlos Ary dos Santos que diz o ter ajudado a começar a escrever letras para canções em português. As primeiras acabariam por sair no disco "A Última Canção", em 1973.

O talento de Palma via-se também nos trabalhos como arranjador e compositor para outros cantores como, por exemplo, a Tonicha.

Jorge Palma foi um dos artistas portugueses que gravou discos antes de 1974.

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