Crise Migratória na Europa

Migrantes no Mediterrâneo. "Estamos a tentar pôr um penso rápido numa hemorragia"

Professora Manuela Niza Ribeiro defende que a Europa estabeleça uma diplomacia de cooperação para o desenvolvimento com os países de origem.

Mais de 480 migrantes atravessaram ontem o Canal da Mancha para tentar chegar à Europa. É o número mais alto desde o início do ano num só dia. Desde janeiro, mais de 10 mil pessoas já tentaram a mesma travessia, um número superior às oito mil registadas em todo o ano passado.

Esta quinta-feira, as autoridades britânicas intercetaram mais algumas dezenas de migrantes, incluindo crianças. O grupo foi resgatado em alto mar e conduzido ao porto de Dover. As patrulhas da fronteira rebocaram as embarcações de borracha vazias até ao mesmo local.

No mês passado, França e Reino Unido acordaram reforçar os mecanismos de controlo nas fronteiras para impedir que mais migrantes arrisquem a vida nesta perigosa viagem.

Manuela Niza Ribeiro, professora universitária, considera que a Europa devia encetar uma discussão e diplomacia de cooperação para o desenvolvimento com os países de origem dos migrantes.

Na Edição da Tarde da SIC Notícias, sublinhou o facto de ter havido um aumento significativo de menores não acompanhados a tentar chegar aos países europeus em botes que não estão preparados.

A professora identificou as alterações climáticas como um dos fatores que estão a impulsionar a migração, sobretudo, no norte de África.

Portugal podia ser um dos países a abrir portos aos migrantes que chegam via marítima, defende Manuela Niza Ribeiro, acrescentando que o Governo faz "publicidade" quando acolhe dez migrantes que vêm de campos e que trazem consigo subsídios. "Estes vêm sem nada. Estes precisam de tudo", afirmou a professora.