Crise Migratória na Europa

Exército espanhol trava entrada de migrantes em Ceuta

Jon Nazca

A nado e a pé, milhares tentam entrar no enclave espanhol no norte de África.

A polícia espanhola está, esta terça-feira à tarde, a travar a entrada de migrantes no enclave espanhol. Perto de 8 mil pessoas vindas de Marrocos, em África, entraram em Ceuta. Cerca de 4 mil migrantes que entraram ilegalmente nas últimas horas já foram devolvidos. O chefe do Governo deslocou-se ao local.

Começaram a ser colocadas barreiras para impedir a entrada de mais migrantes.

O Ministério do Interior espanhol anunciou também o envio de novos reforços da polícia local para fazer frente ao fluxo maciço e repentino de milhares de migrantes no enclave espanhol, a partir do vizinho Marrocos.

Além dos 200 já enviados esta terça-feira, serão destacados mais 50 agentes, enquanto outros 150 estão em 'stand by', ainda no contexto desta crise migratória, num clima de tensões diplomáticas entre Madrid e Rabat.

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, está no local. Tinha prometido agir "com firmeza" para restaurar a normalidade em Ceuta, após milhares de migrantes terem entrado no enclave a partir de Marrocos.

A situação no enclave espanhol levou Pedro Sanchéz cancelar a viagem que tinha previsto fazer a Paris para participar numa cimeira sobre o financiamento de África organizada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.

Desde a manhã de segunda-feira, quase 8.000 migrantes entraram no enclave espanhol de Ceuta a nado ou a pé, uma onda migratória sem precedentes.

Ceuta é uma porta de entrada de migrantes para a Europa. As ruas do território espanhol no norte de Marrocos amanheceram esta terça-feira com um ambiente diferente da rotina habitual, com milhares de imigrantes procedentes do território marroquino a deambularem pelos bairros da cidade, segundo descreveram as agências internacionais.

Jon Nazca

"Nunca vimos nada assim". As imagens da situação dramática em Ceuta

A porta-voz da Cruz Vermelha em Ceuta, Isabel Brasero, descreve a situação em Ceuta, com a chegada massiva de milhares de migrantes vindos de Marrocos.

A partir do centro de acolhimento, diz ao canal de televisão Telemadrid que estão a viver uma "situação sem precedentes".

"Temos participado travessias a nado há cerca de três semanas, mas não desta magnitude das últimas horas", diz, e acrescenta que a Cruz Vermelha está habituada a receber migrantes, "mas nunca como agora".

Isabel Brasero assegura que a Cruz Vermelha continua a ajudar todos os migrantes que chegam à praia e são transferidos para o centro de acolhimento a poucos metros, onde é garantida a assistência médica e social.

A Cruz Vermelha tem também barcos para ajudar a resgatar migrantes no mar, em conjunto com o Guarda Civil.

A responsável conta ainda que os funcionários da Cruz Vermelha estão vacinados e seguem um protocolo de segurança para receberem os migrantes.

Marroquinos forçam entrada em Ceuta pelas praias

Desde segunda-feira, cerca de 8 8 mil migrantes segundo as autoridades espanholas, entraram ilegalmente em Ceuta, a nado, com recurso a embarcações insufláveis ou através de tentativas para trepar as altas cercas fronteiriças que separam este enclave espanhol do território marroquino.

Para acolher este número de migrantes, nomeadamente os adultos e antes da deportação, as autoridades locais disponibilizaram o principal estádio de futebol de Ceuta. Já os migrantes que são identificados como menores de idade estão a ser enviados para armazéns administrados pela Cruz Vermelha e por outras organizações.

Espanha não concede aos cidadãos marroquinos o estatuto de requerentes de asilo e apenas permite que crianças migrantes não acompanhadas permaneçam legalmente no país sob supervisão governamental.

Espanha já devolveu metade dos 8.000 marroquinos chegados a Ceuta

Cerca de 4.000 migrantes foram devolvidos a Marrocos por Espanha, depois de quase 8.000 terem chegado ao enclave de Ceuta desde segunda-feira de manhã, de acordo com dados atualizados divulgados esta terça-feira pelo Ministério do Interior espanhol.

Marlaska disse que o Governo está a colocar desde o primeiro momento todos os meios necessários para proteger os cidadãos de Ceuta e devolver "através dos canais estabelecidos" aqueles que estão a entrar ilegalmente na cidade autónoma.

"Ceuta é tanto Espanha como Madrid, Sevilha ou Barcelona", disse o ministro, que salientou que o executivo "não desistirá nem por um minuto" de tentar inverter a situação e continuará a "ser enérgico na defesa das fronteiras".

O ministro do Interior (Administração Interna) assegurou que o executivo espanhol irá proceder à "devolução imediata" das pessoas que estão a entrar "ilegalmente" no país.

Por seu lado, a porta-voz do Governo, María Jesús Montero, apelou à "tranquilidade", "confiança" e também "solidariedade" com os cidadãos de Ceuta e Melilla e "do sul do país" na sequência da crise migratória sofrida nas últimas horas na cidade autónoma de Ceuta.

Jon Nazca

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