Coronavírus

Tratamento polémico para a covid-19 com antiparasitário em estudo em Oxford

Manuel Negrete com o antiparasitário ivermectina comprado com receita médica em Santa Cruz, Bolívia 19 de maio de 2020

Rodrigo Urzagasti / Reuters

Antiparasitário ivermectina já está a ser usado no Brasil ou Índia sem provas científicas.

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A Universidade de Oxford anunciou na quarta-feira que está a estudar o medicamento antiparasitário ivermectina como um possível tratamento precoce para a covid-19 e assim evitar hospitalizações.

Estudos em laboratório têm mostrado que a ivermectina tem efeitos antivirais, nomeadamente na redução da replicação do vírus SARS-CoV-2 se administrados em doses mais elevadas que as aprovadas como antiparasitário.

Segundo a Universidade de Oxford, a investigação demonstrou que a administração precoce do medicamento reduz a carga viral e a duração dos sintomas em alguns pacientes com covid-19 leve.

O estudo Principle irá comparar doentes com covid-19 que receberam o medicamento a outros pacientes que estão a receber os cuidados normais no sistema de saúde britânico NHS.

"Ao incluir a ivermectina num ensaio de grande escala como o PRINCIPLE, esperamos encontrar provas da eficácia do tratamento contra covid-19 e se há benefícios ou efeitos secundários associados à sua utilização", disse o investigador principal do ensaio, Chris Butler citado pela agência Reuters.

Pessoas com problemas hepáticos graves, que estão a tomar medicamentos ou a fazer tratamentos conhecidos por interagirem com a ivermectina, serão excluídas do ensaio, acrescentou a universidade.

A ivermectina é o sétimo tratamento contra a covid-19 que está a ser investigado no ensaio, e atualmente está sendo avaliada juntamente com o antiviral favipiravir, disse a universidade.

Medicamento polémico na utilização contra a covid-19

Embora a Organização Mundial da Saúde e os reguladores europeus e norte-americanos não recomendem o uso de ivermectina em pacientes com covid-19, o antiparasitário está a ser usado para tratar a doença em alguns países da Amércia Latina, nomeadamente o Brasil, na África do Sul e Índia.

No Brasil são também administradas cloroquina e azitromicina e ivermectina, fármacos que não têm eficácia contra a covid-19, mas são amplamente defendidos para esse efeito pelo Governo de Jair Bolsonaro.

Infarmed diz que não há provas para apoiar uso de medicamento

Em março, o Infarmed alertou que não existem provas que apoiem a utilização da ivermectina na profilaxia e tratamento da covid-19.

Numa nota divulgada no site, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde sublinha que têm vindo a ser publicados vários estudos que analisam o potencial recurso à ivermectina no contexto da covid-19, mas que há ainda dúvidas quanto à dose adequada e à segurança.

O Infarmed diz que analisou os artigos e publicações disponíveis e avisa que, à data, "dadas as limitações metodológicas nos ensaios em que a ivermectina foi utilizada e as dúvidas quanto à dose adequada e sua segurança no âmbito da infeção causada pelo SARS-CoV-2, não existem evidências (provas) que apoiem a utilização deste medicamento na profilaxia e tratamento da covid-19".

Os medicamentos contendo ivermectina atuam como antiparasitários no tratamento da filariose, estrongiloidose e escabiose (sarna) e pediculose (piolhos), e profilaxia da recidiva da estrongiloidíase (infeção intestinal) e na escabiose persistente ou escabiose.

Links úteis

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