Coronavírus

Portugal com mais 28 mortes e 682 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas

Pedro Nunes

Último balanço da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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Portugal regista este domingo mais 28 mortes e 682 novos casos de covid-19, segundo o relatório diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 16.540 mortes e 810.094 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando este domingo ativos 61.987 casos, menos 312 em relação a ontem.

O boletim da DGS revela também que estão internados 1.414 doentes (menos 2 do que no sábado).

Nos cuidados intensivos Portugal tem hoje 354 doentes (menos 9 em relação a sábado).

As autoridades de saúde têm sob vigilância 25.513 contactos, menos 1.191 relativamente ao dia anterior.

Os dados deste domingo revelam ainda que mais 966 pessoas foram dadas como recuperadas, fazendo subir para 731.567 o número de recuperados desde o início da pandemia em Portugal, em março de 2020.

33 dias consecutivos que o número de recuperados supera o de novas infeções.

Os hábitos que mudaram, as recomendações e os medos do último ano

A pandemia virou as nossas vidas do avesso há um ano, um período inédito. Um ano depois de confirmados os primeiros casos em Portugal, o conhecimento já permite perceber algum comportamento do vírus. Ainda assim, o país ultapassou os 800 mil infetados e 16 mil pessoas perderam a vida desde o início da pandemia.

No início do primeiro confinamento, quando havia poucas certezas sobre a forma como o vírus era transmitido, entrar em casa tornou-se, para alguns, um desafio.

A quem saía para ir trabalhar ou ir às compras recomendava-se que, no regresso, os sapatos ficassem à porta, que as roupas que vinham da rua fossem isoladas e depois lavadas a altas temperaturas e o banho "era obrigatório". A informação era muita, e em muitos casos falsa ou contraditória.

O que antes era uma simples ida ao supermercado tornou-se em alguns casos uma exigente tarefa.

O álcool e a lixívia tornaram-se os grandes aliados no combate ao vírus. No final de março de 2020, o álcool gel passou a existir em quase toda a parte.

A OMS continua a recomendar a desinfeção das superfícies por considerar que uma pessoa pode ficar infectada se depois mexer nos olhos, nariz ou boca depois de tocar numa zona contaminada. Para os cientistas, ainda faltam estudos que comprovem se é possível contrair o vírus por esta via.

O virologista Paulo Paixão falou do cansaço mental da pandemia, da desinformação e dos exageros, como a desinfeção do areal das praias com lixívia.

Teste negativo e quarentena para passageiros de voos com origem no Reino Unido ou Brasil

Os passageiros de voos com origem inicial no Reino Unido ou no Brasil e que tenham feito escala noutros aeroportos cujo tráfego com destino a Portugal continental está autorizado têm novas regras: um teste PCR negativo realizado 72 horas antes da viagem e uma quarentena de 14 dias depois da chegada a Portugal.

As medidas foram anunciadas este sábado pelo Ministério da Administração Interna. Entram em vigor a partir da 00:00 de dia 7 de março e prolongam-se até às 23h59 do dia 16 de março.

A quarentena de 14 dias pode ser feita no domicílio ou em local indicado pelas autoridades de saúde.

Num comunicado enviado às redações, o Ministério da Administração Interna informa que as companhias aéreas "têm de remeter às autoridades de saúde a listagem dos passageiros cujo trânsito com proveniência do Reino Unido ou do Brasil é do seu conhecimento".

Já o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras verifica o país onde os passageiros realizaram o teste e remetem essa informação às autoridades de saúde, refere o ministério liderado por Eduardo Cabrita.

"O despacho publicado em Diário da República vem reforçar a garantia de cumprimento das medidas já previstas para os voos e assegurar a igualdade de tratamento dos passageiros cuja viagem se inicia no Reino Unido ou no Brasil face àqueles que chegam a Portugal continental em voos diretos das mesmas origens, com natureza humanitária e para efeitos de repatriamento", lê-se no mesmo comunicado.

Até 16 de março estão suspensos todos os voos, comerciais ou privados, com origem ou destino no Brasil e no Reino Unido, sendo apenas permitidos voos humanitários e de repatriamento.

Desconfinamento. “Ideia de que há dois ou três números que são linhas mágicas não faz sentido”

A poucos dias de ser conhecido o plano de desconfinamento, parece certo que o país deverá retomar a atividade económica a diferentes velocidades, já em meados de março. Desta vez a reabertura dos diferentes setores não terá datas concretas, mas será feita mediante critérios de saúde pública, como o número de infetados e internamentos.

Para o epidemiologista Henrique Barros, a ideia “de que há dois ou três números que são linhas mágicas não faz sentido” e que o desconfinamento deve ser planeado com base em indicadores epidemiológicos, como os números de infetados e internamentos, mas também indicadores económicos e sociais.

Sobre a evolução da pandemia em Portugal, o especialista defende que era previsível a descida das infeções e hospitalizações, explicando também que é possível prever que estes números “não desceram para zero” e, a certa altura, poderá mesmo haver um momento de aumento.

Sobre a reabertura das escolas, afirma não fazer sentido que, neste momento, continuem fechadas, dizendo que o país “pode andar mais depressa” porque já há mais gente imunizada. Alerta, ainda assim, que o regresso às escolas não implica que “depois se pode ficar a conversar com amigos ou ir para o café”, conclui, explicando que isso são coisas que demorarão mais tempo.

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