Coronavírus

Professor sueco desiste de investigar covid-19 após receber ameaças e críticas

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Estudo conclui que covid-19 é uma baixa ameaça para as crianças.

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Um professor e investigador sueco desistiu de continuar a investigar a covid-19, depois de receber ameaças e críticas contra as suas descobertas, que concluem que a doença representa uma baixa ameaça para as crianças, indo contra o argumento político de que as escolas não podem reabrir.

Jonas Ludvigsson admitiu que perdeu muitas noites de sono por causa das "mensagens furiosas" que recebeu através das redes sociais e do email, nas quais o seu estudo era atacado e ele próprio culpado pela estratégia contraditória da Suécia para fazer face à pandemia de covid-19.

De acordo com o New York Post, o estudo do professor de Epidemiologia focou-se em crianças do 1 aos 16 anos, durante a primeira vaga da pandemia, na primavera passada. O estudo concluiu que apenas 15 crianças foram para unidades de cuidados intensivos, das quais quatro sofriam de uma "doença crónica".

O estudo também analisou os professores e mostrou que, durante o mesmo período, "menos de" 30 acabaram nos cuidados intensivos.

Jonas Ludvigsson sublinhou ainda no estudo que as crianças não usavam máscaras e que a restante população da Suécia era "apenas encorajada" a manter o distanciamento social.

Perante as críticas e acusações, o Governo da Suécia anunciou que vai aumentar a proteção à liberdade académia. A ministra do Ensino Superior, Matilda Ernkrans, disse ao British Medical Journal que o Executivo planeia alterar a lei para garantir "que a educação e investigação sejam protegidas de modo a permitir que as pessoas descubram, investiguem e partilhem conhecimento, livremente."

Suécia a caminho da terceira vaga

As autoridades de saúde suecas anunciaram esta terça-feira que o país está a caminho da terceira vaga da pandemia de covid-19, numa altura em que as restrições aumentam para estabelecimentos comerciais.

Desde sexta até esta terça-feira, a Suécia registou 11.804 novos casos de covid-19, um aumento em relação ao mesmo período da semana anterior (10.933).

"Certamente parece que estamos a caminho da terceira vaga", disse o epidemiologista Anders Tegnell em conferência de imprensa. "Está a começar a ter um impacto nos cuidados intensivos. Não vemos um aumento dramático, mas não é a diminuição que tivemos durante algum tempo."

O país registou ainda 56 mortes por covid-19, aumentando o número de óbitos no país para 12.882.