Coronavírus

Covid-19. O que mudou ao fim de um ano? “Cultura de responsabilidade cívica, individual e coletiva”

Carlos Robalo Cordeiro, diretor de pneumologia do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, em entrevista ao Opinião Pública.

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Um ano depois do primeiro caso de covid-19 diagnosticado em Portugal, o Opinião Pública desta terça-feira faz o balanço destes 365 dias de pandemia. Carlos Robalo Cordeiro, diretor de pneumologia do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, explica quais as principais mudanças.

Avanço da ciência

Carlos Robalo Cordeiro afirma que um dos principais avanços se deu ao nível da promoção do conhecimento e da ciência, sobretudo como suporte nas decisões a serem tomadas, considerando que “decisões que não foram baseadas no conhecimento científico não tiveram bons resultados”.

Aliada à ciência aponta a inovação, nomeadamente no aparecimento de vacinas com tecnologia inovadora, algo que defende que seria “impensável” em tão pouco tempo.

Cultura de responsabilidade cívica

O diretor de pneumologia do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra destaca ainda a entrega de todo o sistema de saúde, incluindo setor privado, social e militar, que considera fundamental para se conseguir dar resposta à evolução da pandemia.

Mais, mais importante, aponta, é a necessidade de todos “trabalharmos no mesmo sentido” por uma cultura de responsabilidade cívica, individual e coletiva. Carlos Robalo Cordeiro acredita que cuidados de higienização, distanciamento social e uso de máscara, por exemplo, podem vir a manter-se no futuro, aplicados a outras situações.

Responsabilidade política. Os erros

O especialista acredita que a aprendizagem não se ficou apenas pela ciência e responsabilidade cívica, mas chegou também aos responsáveis políticos, que partiram “quase do nada” e foram ganhando “consciencialização” sobre a forma como a pandemia deveria ser gerida.

Aponta, ainda assim, erros como o atraso na recomendação do uso da máscara, a “falta de equilíbrio” na gestão do primeiro desconfinamento e ainda no aligeiramento das medidas para “criar condições para que a população se sinta satisfeita”.

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