Coronavírus

Covid-19. "Eu creio que vamos ter uma quarta onda"

Bernardo Gomes, médico de Saúde Pública, em entrevista à SIC Notícias explica que a questão não é "ter uma onda nova, é ter uma onda com impacto infeliz" como em janeiro.

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O primeiro-ministro fez esta terça-feira um veemente apelo à manutenção da disciplina individual para a contenção da covid-19. António Costa avisa que o país não pode repetir os erros que conduziram ao que considera ter sido um "trágico" mês de janeiro e que é "fundamental" que se mantenha "na memória o que aconteceu".

Bernardo Gomes diz que "todos esperam não voltar a ter janeiro". No entanto acredita que vai existir uma nova vaga: "Eu creio que vamos ter uma quarta onda". O médico explica que face às circunstâncias, haja "um novo reacendimento", mas a questão, diz, não é "ter uma onda nova, é ter uma onda com impacto infeliz" como em janeiro.

"As palavras que estamos a assistir nos últimos dias também mudam um bocadinho o paradigma que tem sido a comunicação de risco, no sentido de a alinhar e de ser cautelosa."

Agora falta o mais complicado, entende Bernardo Gomes, "que é ser capaz de comunicar um desconfinamento gradual, com toda a segurança, mas também tentando de alguma forma não alimentar, não incentivar comportamentos de risco".

Estão a morrer menos pessoas com mais de 80 anos devido à covid-19

O número de pessoas com mais de 80 anos a morrer com covid-19 tem diminuído desde fevereiro. A taxa de letalidade nos idosos teve uma quebra de um terço, segundo um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

Bernardo Gomes, médico de Saúde Pública, crê que a vacinação poderá ser uma das razões, "ainda que seja um pouco cedo para tirar grandes ilações".

"Podemos estar a ter maior capacidade de tratamento (...) e também podemos estar a ver um efeito parcial da vacinação."

O médico de Saúde Pública acrescenta ainda um terceiro fator que pode estar a contribuir para o decréscimo de letalidade em pessoas com mais de 80 anos: "Não esqueçamos, infelizmente, o vírus também já fez os seus estragos previamente e já passou por muitos estabelecimentos residenciais de idosos. E a população que era mais velha e que eventualmente fosse (...) mais suscetível já pudesse também ter sido afetada".

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