Coronavírus

Metade dos restaurantes esteve totalmente fechada em janeiro

Os dados são da maior AHRESP, a maior associação do setor, que diz que os apoios não estão a ser suficientes.

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Desde o início da pandemia, a AHRESP realiza um inquérito mensal aos associados da restauração e da hotelaria.

Os dados de janeiro revelam que a situação piorou e são cada vez mais as empresas com quebras de faturação acima dos 60%.

Dos inquiridos, 44% admite já ter despedido funcionários e dois em cada 10 restaurantes assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao fim de março.

Dos 1.042 restaurantes que participaram no inquérito, 375 ponderam fechar portas definitivamente.

Em janeiro, mais de metade esteve totalmente encerrada sem take away e entregas ao domicílio porque assumem não seria rentável. Além das taxas, que apesar de terem sido limitadas pelo Governo são consideradas altas, também a proibição da venda de bebidas

trouxe prejuízos à restauração e afetou os negócios. “Se as pessoas têm de comprar as bebidas noutro local, onde também é vendida comida, acabam por comprar tudo no mesmo sítio”, diz a secretária-geral da associação.

A AHRESP aceita as restantes medidas impostas para travar a pandemia, mas exige apoios económicos reforçados, mais rápidos e mais simples.

“Os apoios à data de hoje foram anunciados em dezembro, quando ainda estávamos a funcionar, e agora estamos encerrados”, lembrou Ana Jacinto, que alerta para o facto de os programas de apoio a fundo perdido do Governo terem esgotado. “Desde sexta-feira que já não recebem candidaturas”, acrescenta.

A associação apresentou ao Governo uma proposta para um mecanismo único de apoio. A ideia é aceder às ajudas através de apenas uma candidatura, mais simples. Uma das razões da associação para pedir um acesso mais ágil às ajudas é o facto de 95% do tecido empresarial do setor ser composto por microempresas.

Apesar das alterações aos critérios das candidaturas, muitos empresários têm ficado fora dos programa. 67% das empresas que participaram no inquérito da AHRESP não cumprem os requisitos para os apoios a fundo perdido.

Os restaurantes continuam fechados e sem data prevista para a reabertura. Por outro lado, a hotelaria foi autorizada a manter-se aberta, mas não há turistas e, por isso, não há clientes.

Mais de metade das empresas registou quebras acima dos 90%.