Coronavírus

Nível de proteção das primeiras vacinas contra a Covid-19 ainda é incerto

A primeira geração de vacinas "será muito provavelmente imperfeita" e "pode não funcionar em todas as pessoas", avisa responsável britânica.

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É provável que as primeiras vacinas contra a Covid-19 sejam imperfeitas e ainda não se sabe quando estarão prontas nem qual o nível de proteção que darão, segundo um relatório da unidade britânica para o desenvolvimento de vacina UK Vaccine's Taskforce.

"Não sabemos se algum dia teremos uma vacina" contra a Covid-19, avisa a responsável Kate Bingham, num artigo publicado hoje na revista médica The Lancet .

"A primeira geração de vacinas será muito provavelmente imperfeita, temos de estar preparados para que não previna infeções mas que apenas reduza sitomas e até para o facto de não funcionar em todas as pessoas".

Questionado pela Sky News sobre a informação avançada pela responsável da UK Vaccine's Taskforce, o ministro do Ambiente britânico George Eustice afirmou que esta análise é "provavelmente correta".

"A vacina será a resposta a determinada altura, mas ainda é muito cedo para dizer exactamente quando estará pronta. Sei que há esperança de que esteja algo pronto no Natal, mas não há qualquer certeza".

O responsável britânico acrescentou ainda:

"E mesmo com a vacina, não sabemos exatamente qual o nível de proteção que dará. Há sempre imensas dúvidas e incertezas em relação a vacinas".

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As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano ou mesmo no próximo ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 248 projetos e 51 estão na fase de ensaios clínicos, sendo que 10 estão na fase III - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

O projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca é um dos mais promissores, a que se juntam os da Pfizer e da BioNTech, da Moderna e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Plataforma global COVAX

O mecanismo COVAX é uma plataforma global para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, para um acesso equitativo às vacinas a preços acessíveis.

Participam vários países, instituições e organizações, como a União Europeia.