Coronavírus

Vacina portuguesa contra a Covid-19. Testes começam em outubro

Karoly Arvai

Primeiros testes serão feitos em ratinhos.

Especial Coronavírus

Uma empresa de biotecnologia com sede no Parque Tecnológico de Cantanhede vai iniciar no próximo mês testes em ratinhos para desenvolver uma vacina para a Covid-19, disse esta quarta-feira à agência Lusa o CEO da Immunethep, Bruno Santos.

De acordo com o responsável da empresa, dentro de dois a três meses deverão existir "resultados que permitam iniciar testes em humanos".

A empresa tinha já trabalho desenvolvido com outra vacina, no sentido de prevenir infeções bacterianas, que muitas vezes são a causa de morte de doentes internados, inclusive pessoas infetadas com Covid-19.

Em declarações à Lusa, o responsável pela empresa afirmou que a partir daí decidiram avançar para "o desenvolvimento de uma vacina específica para a Covid-19".

Siphiwe Sibeko

A formulação encontrada vai começar a ser testada em ratinhos no próximo mês e a produção da vacina, caso seja aprovada, será feita com uma empresa no Canadá com a qual a biotecnológica portuguesa já trabalha para a outra vacina na área bacteriana.

"Neste momento, temos uma formulação definida e estamos prontos a testá-la no modelo animal", precisou Bruno Santos.

A base para a conceção desta vacina parte de vírus inativados, explicou.

Kai Pfaffenbach

Em comunicado, a empresa anunciou que o seu principal produto é uma vacina antibacteriana de largo espetro que está "pronta para entrar em ensaios clínicos" e que com a pandemia de Covid-19, decidiu colocar as capacidades e conhecimento adquirido no desenvolvimento de "novas soluções" que possam ajudar a parar a doença e as suas consequências.

"O conhecimento gerado no processo de desenvolvimento de vacinas permitiu-nos avançar rapidamente para ensaios de desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19. Esta vacina foi desenhada para potenciar a resposta imune ao vírus nos pulmões. A vacina tem uma dupla função: Induzir a produção de anticorpos específicos para neutralizar o SARS-CoV-2 e aumentar a nossa capacidade natural de combater infeções virais", lê-se no documento emitido pela empresa.

"Publicações recentes demonstram que pelo menos 50% dos casos fatais associados a infeções por SARS-CoV-2 são devido a infeções oportunistas causadas por bactérias multirresistentes. Considerando que a vacinação destes pacientes para SARS CoV-2 não geraria uma resposta em tempo útil, a Immunethep está a desenvolver uma terapia utilizando anticorpos monoclonais para tratar este tipo de infeções bacterianas oportunistas", acrescentam os autores do trabalho.

O objetivo é, através da vacinação, prevenir a doença e evitar a transmissão de humano para humano e, por outro lado, "através do tratamento pelos anticorpos monoclonais", atenuar os sintomas de pacientes já infetados "reduzindo significativamente" o número de casos fatais dentro dos pacientes com Covid-19.

Portugal regista mais 3 mortes e 802 casos

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira a existência de um total de 1.928 mortes e 70.465 casos de covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de mortes subiu de 1.925 para 1.928 , mais 3 do que na terça-feira. O número de infetados aumentou de 69.663 para 70.465, mais 802.

Nas últimas 24 horas registaram-se mais 25 internamentos, aumentando para 571 o número de pessoas com covid-19 internadas nos hospitais, enquanto foi registado um aumento de 25 utentes nos cuidados intensivos, num total de 77.

Rafael Marchante

Terapia inovadora pretende eliminar o coronavírus em segundos

Um consórcio formado pela Universidade de Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e duas empresas, uma portuguesa e outra canadiana, quer desenvolver uma terapia inovadora para eliminar "em poucos segundos" o vírus que provoca a covid-19, foi anunciado esta quarta-feira.

Denominado FOTOVID, o projeto pretende eliminar o vírus SARS-CoV-2, responsável pela doença de covid-19, "logo na principal 'porta de entrada' no organismo, isto é, nas fossas nasais, usando a terapia fotodinâmica", afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Kai Pfaffenbach