Coronavírus

Governo britânico vai continuar a pagar 80% dos salários durante mais três meses

Henry Nicholls

A partir de setembro, o valor passa para 70% do salário e em outubro para 60%.

Especial Coronavírus

O governo britânico vai continuar a pagar durante mais três meses 80% do salário de trabalhadores em lay-off devido à pandemia de Covid-19, e reduzir gradualmente o valor até ao fim do sistema, em outubro, foi esta sexta-feira anunciado.

O ministro das Finanças, Rishi Sunak, que falava na conferência de imprensa diária do Governo britânico, disse que, a partir de setembro, o valor passa para 70% do salário e no último mês em funcionamento para 60%.

O governo quer também que os empregadores passem a pagar contribuições para a segurança social e para os fundos privados de pensões de aposentação a partir de agosto.

"Eu compreendo que empresas e empregadores estejam a passar por um momento muito difícil, por isso decidi que paguem apenas uma contribuição modesta introduzida lentamente ao longo dos próximos meses", justificou, durante a conferência de imprensa diária do Governo sobre a crise.

Porém, vincou Sunak, o sistema, em vigor desde março e que garante o pagamento de 80% dos salários até 2.500 libras por mês (2.850 euros) "não pode continuar indefinidamente".

O "esquema de retenção de empregos" foi criado para ajudar empresas afetadas pela interrupção na atividade económica durante o confinamento decretado a 23 de março para evitar o despedimento maciço de pessoas.

De acordo com o Governo, cerca de 8,4 milhões de trabalhadores estão em regime de lay-off, abrangendo um milhão de empresas, juntando-se a 2,3 milhões de trabalhadores de conta própria cujo rendimento também foi coberto até 80%.

O ministro adiantou, esta sexta-feira, que os trabalhadores por conta própria poderão reclamar um segundo pagamento de até 6.570 libras (7.284 euros).

Números divulgados esta semana pelo Governo revelaram que, até à semana passada, o custo total de ambos sistemas ascendeu até 21,8 mil milhões de libras (2,35 mil milhões de euros).

Um inquérito da organização patronal Institute of Directors publicada na quinta-feira mostrou que apenas metade das empresas se sente financeiramente capaz de cobrir 20% dos salários dos seus funcionários e 25% afirma não ter capacidade para contribuir qualquer valor para os salários dos empregados.