Coronavírus

Avenida da Liberdade quase vazia

Avenida da Liberdade quase vazia

Manuel Ferreira

Manuel Ferreira

Repórter de Imagem

David Alves

David Alves

Editor de Imagem

Celebrar Abril é também encher salas e ruas de concertos, mas este ano, todas as iniciativas foram transmitidas através da internet e só uma teve direito a montar palco na Avenida da Liberdade: os artistas Branko e Dino D'Santiago cantaram que vai ficar tudo bem. Porém, para os tantos que viram a revolução a acontecer, não a poder celebrar na rua é uma tristeza profunda. 

Especial Coronavírus

Há 46 anos que Adriano Domingues desce a Avenida da Liberdade de cravo ao peito. Procura a repetição da profunda emoção que diz ter sentido, no dia 25 de Abril de 1974, quando andou por Lisboa a participar na revolução. Tinha estado a combater na Guiné-Bissau. Ansiava a mudança de regime com a mesma força com que hoje se entristece ao ver as ruas da capital vazias.

Em 77 anos de vida marcou presença em todos os desfiles na Avenida. Por isso, hoje não podia faltar. Mesmo sozinho, mesmo se chegou atrasado ao pequeno concerto que fechou ao trânsito, durante meia hora, uns metros da Avenida da Liberdade.

Às duas e meia da tarde, os músicos Dino d'Santiago e Branko tocaram, em frente ao cinema São Jorge. O espetáculo foi transmitido em directo, na internet e foi uma surpresa.

Os artistas tinham anunciado que o iriam fazer, mas não disseram onde para evitar a concentração de público.


Terminado às 3 da tarde, logo se ouviu o "Grândola" do José Afonso cantado das varandas do centro de trabalho Vitória, o edifício do PCP, numa das avenidas mais cara do país.