Coronavírus

Quase metade das mortes em Londres numa semana atribuídas à Covid-19

ANDY RAIN

1.170 mortes em Londres em apenas uma semana.

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Quase metade das mortes registadas em Londres na semana até 3 de abril foi atribuída à pandemia covid-19, revelou esta terça-feira o Instituto de Estatísticas Nacionais britânico (ONS), que confirmou uma taxa de mortalidade superior à oficial.

De acordo com os dados publicados hoje pelo ONS, 1.170 mortes das 2.511 registadas naquele período na região de Londres foram relacionadas com o novo coronavírus, mais do dobro das registadas nas regiões de West Midlands (400) ou Noroeste (418) de Inglaterra.

O ONS confirmou também que a taxa de mortalidade provocada pela covid-19 até 3 de abril foi cerca de 50% superior aos números inicialmente publicados pelo ministério de Saúde para Inglaterra e País de Gales, que foram atualizados posteriormente.

Segundo o balanço oficial diário do governo, até 3 de abril tinham morrido 4.093 pessoas naquelas duas regiões, embora estes números tenham sido posteriormente atualizados com óbitos registados mais tarde pela direção de saúde de Inglaterra, elevando o total para 5.340.

"Os dados comparáveis mais recentes de mortes envolvendo a covid-19 com data de óbito até 3 de abril mostram que houve 6.235 mortes em Inglaterra e no País de Gales. Ao analisar os dados de Inglaterra, são 15% mais elevados que os números do NHS, pois incluem todas as menções à covid-19 nas certidões de óbito, incluindo suspeitas de covid-19, bem como mortes na comunidade", vincou Nick Stripe, chefe de análises sobre saúde e factos da vida.

Os dados publicados diariamente pelo ministério da Saúde britânico, com base nos números das direções regionais da Escócia, Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, referem-se apenas às mortes de pacientes nos hospitais, pois são os únicos atualmente diagnosticados.

Os números do ONS permitem ter uma perspetiva do número global de mortes de pessoas com covid-19, incluindo as que morreram fora dos hospitais, como por exemplo em casa, onde os infetados poderiam estar em isolamento por terem sintomas, ou em casas de repouso.

Na segunda-feira, o Diretor Geral de Saúde de Inglaterra, Chris Witty, disse na conferência de imprensa diária que só 13,5% das casas de repouso [care homes] britânicas, que podem incluir lares de idosos ou residências para pessoas com necessidade de cuidados continuados, tinham registado casos de covid-19.

Porém, hoje, o diretor-executivo do grupo de lares HC1, David Behan, disse hoje à BBC terem sido registados 2.447 casos suspeitos ou confirmados de covid-19 em 232 unidades, equivalentes a 66% dos lares que o grupo gere, e que 311 utentes e um trabalhador morreram, sugerindo um impacto elevado.

Um estudo universitário publicado pela universidade London School of Economics com dados sobre Espanha, Itália, Irlanda, França e Bélgica divulgado na segunda-feira referia que entre 42% e 57% das mortes de pessoas infetadas poderá estar a acontecer em lares.

Na atualização dos dados feita na segunda-feira, o ministério da Saúde britânico registou 11.329 mortes resultantes de infeções com covid-19 e um total de 88.621 pessoas infetadas, números que se referem apenas a pessoas hospitalizadas.