Coronavírus

Tossir de propósito sobre polícias dá até dois anos de prisão no Reino Unido

Hannah Mckay

Qualquer pessoa que use a Covid-19 para ameaçar trabalhadores dos serviços de urgência e outros trabalhadores essenciais pode enfrentar acusações criminais agravadas.

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Tossir propositadamente para cima de elementos dos serviços de urgência, como médicos ou polícias, ameaçando com o contágio de Covid-19, pode resultar numa pena de até dois anos de prisão, informou o ministério público britânico.

A Procuradoria da Coroa avisou que qualquer pessoa que use o coronavírus para ameaçar trabalhadores dos serviços de urgência e outros trabalhadores essenciais pode enfrentar acusações criminais agravadas, reagindo a relatos de que polícias, trabalhadores em lojas e pessoas vulneráveis terão sido alvo de tosse propositada por pessoas que alegam ter a doença.

"Os trabalhadores dos serviços de urgência são mais essenciais do que nunca, numa altura em que a sociedade se une para enfrentar a pandemia de coronavírus. Estou, por isso, chocado com relatos de polícias e outros trabalhadores da linha da frente serem alvo de tosse deliberada por pessoas que alegam ter o Covid-19", afirmou na quinta-feira o procurador-geral, Max Hill.

Na Irlanda do Norte, Brendan Walker, de 39 anos, foi a tribunal na quinta-feira, acusado de tentativa de danos corporais graves por ter alegado estar infetado com Covid-19 e tossido sobre dois agentes da polícia enquanto estes tentavam detê-lo por violência doméstica na quarta-feira.

Na quarta-feira, Darren Rafferty, de 45 anos, declarou-se culpado de três acusações de agressão após tossir diretamente para agentes da Polícia Metropolitana de Londres que o tentavam prender por outra razão, alegando estar infetado.

Em Blackburn, David Mott, de 40 anos, foi preso depois de ameaçar cuspir num agente de polícia quando foi confrontado por desrespeito às regras de distanciamento social, por estar acompanhado por mais duas pessoas.

A orientação aos procuradores públicos foi divulgada no dia em que foram conhecidos pormenores dos poderes que a polícia vai ter para fazer respeitar as regras de confinamento determinado pelo governo britânico para reduzir a propagação da Covid-19 no Reino Unido.

Os infratores poderão ser multados em 60 libras (66 euros), valor que pode ser reduzido para metade se pagarem voluntariamente no espaço de duas semanas, mas que será duplicado a cada reincidência.

Aqueles que se recusem a pagar poderão ser levados a tribunal e condenados a pagar multas ilimitadas. A polícia poderá ainda deter pessoas, mas o governo britânico instruiu a polícia a usar o "senso comum" na forma como lida com estas situações.

O governo britânico impôs na segunda-feira um regime de confinamento, só permitindo às pessoas saírem para fazer compras de bens essenciais, exercício, para ajudar uma pessoa vulnerável ou para ir para o emprego, quando não for possível trabalhar remotamente.

A polícia poderá também intervir para dispersar ajuntamentos de mais de duas pessoas, o que aconteceu na quarta-feira, quando as forças de segurança puseram fim a um churrasco com mais de 20 pessoas em Coventry, no centro de Inglaterra.

"O primeiro-ministro foi claro sobre o que precisamos de fazer: ficar em casa para proteger o nosso NHS [Serviço Nacional de Saúde] e salvar vidas. Todos os nossos serviços de linha de frente estão a fazer um trabalho incrível para impedir que este terrível vírus se espalhe. É por isso que estou a dar à polícia estes novos poderes, para proteger o público e manter as pessoas seguras", justificou a ministra do Interior, Priti Patel.

No balanço publicado na quinta-feira, o Ministério da Saúde britânico deu conta de 11.658 casos positivos entre 104,866 pessoas testadas à Covid-19, tendo 578 dos infetados morrido, mais 115 do que os 463 óbitos declarados na véspera.

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